Transcrição de trechos das gravações feitas pelo Gaeco, através de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. O material consta do processo que corre na 3ª Vara Criminal de Londrina.

30 de abril - 19h46 Conversa entre o vereador Eloir Valença (PHS) e o prefeito Barbosa Neto (PDT), horas depois do parlamentar ter prestado depoimento. Eloir comenta com o prefeito sobre a ida ao Gaeco, e solicita ajuda na Câmara para levar Amauri Cardoso (PSDB) à comissão de Ética.

Eloir - Tranquilo, hoje foi lá né, no, Gaeco levantaram algumas situações lá e eu fui bastante enfático e incisivo. E é, não tem nada que esconder, né Barbosa.
Barbosa - É, graças a Deus não tem nada, ná.
Eloir - É da parte da Câmara, vou precisar, inclusive, vou precisar da tua complacência aí, é, para eu chamar outros vereadores pra grente fazer...
Barbosa - Pode
Eloir - Botar o cara no Comitê de Ética, dentro da Câmara, porque acho que...
só liguei, liguei, precisava conversar mais algumas coisas contigo pra ver como é, fazer assim uma leitura. Acho que é importante essa leitura, sabe prefeito.
Barbosa - Vamo.
Eloir - Porque daqui pra frente pode acontecer coisas que que...
Barbosa - É verdade.
Eloir - É importante a gente...
Barobosa - Tá em contato, sim.
Eloir - Tá em contato.
Barbosa - Amanhã cedo, aí a gente senta, bate um papo e vê se chama mais outro, alguém, né.
Eloir - Isso, tá bom.
Eloir - Então, não, não tranquilo, fez bem viu Barbosa. Obrigado você ter entendido a situação.
Barbosa - Huhum.
Eloir - Fez muito bem, e, ééééé, me manifeste, você viu a minha manifestação, foi muito expressiva, acho que foi uma jogada de grande estrategista, uma mexida no tabuleiro, que os caras ficaram...


23 de abril - 14h26 - Sergio Bonato fala para o seu irmão, Ludovico Bonato, que sua mulher (Silvana, assessora de Eloir) está querendo ''matar o Eloir'' porque ele virou a casaca. Ludovico responde que isso é um jogo e o jogo é sujo assim mesom. Segundo o Ministério Público, fica evidente nesse trecho que Eloir entrou nesse jogo sujo para mudar de lado.


Sergio - Você falou para minha muié que eu tava nervoso.
Bonato - Eu achei você tenso.
Sergio - Não, nervoso eu não tava não. Eu não tô bem, eu só tô um pouco preocupado porque quem tava nervoso memo é a Silvana. A Silvana é uma pessoa muito justa, Lô. Ela num gosta dessas coisas, ela tá querendo matar o Eloir.
Bonato - Por que?
Sergio - Porque ele virou a casaca, não é assim que a gente fala?
Bonato - Eu falo assim, mas é o jogo, é o jogo sujo assim mesmo, cara.
Sergio - Ela não gosta disso não, ela chega não dormir de noite, cara.
Bonato - Imagina você que eu tô aqui, vou encaminhar as coisas. Que chegar no final do mês assim minha cooperativa não chegar no valor que eu quero, eu vou embora, ué, entendeu.
Sergio - Eu tô entendendo.
Bonato - Eu to meio xarope nisso também mas eu tive que fazer esse jogo e tô ali, mas não foi sacanagem nem com ele não, foi coisa dele mesmo. Sergio, todo homem tem um preço e os políticos do Brasil estão num leilão, tá tudo na promoção.
Sergio - Eu sei disso, entendeu, (...)


24 de abril, dia das prisões em flagrante de Marco Cito e de Ludovico Bonato. 11h14 - Bonato está na porta da Sercomtel e conversa com Cito por telefone. Cito diz para ele ir até a prefeitura, no gabinete onde já o esperava.

Bonato - Eu tô aqui na porta da Sercomtel, já.
Cito - Quem é que tá falando?
Bonato - É o Bonato.
Cito - Ô Bonato, eu tô te ligando aqui, vem aqui para prefeitura
Bonato - Na prefeitura?
Cito - É.
Bonato - É que ele marcou as 11h30, sabe que lugar?
Cito - Aqui no gabinete, eu tô aqui.

24 de abril, 11h59 - Após receber o dinheiro na prefeitura, Bonato vai ao encontro marcado com Amauri Cardoso. Quando chega em frente ao local combinado para a entrega da propina, na rua Cambará, eles conversam.


Bonato - Tô aqui na sombra, hehehe.
Amauri - Entra aí.
Bonato - Há? Não quer pegar aqui? A gente confere aqui no carro, dá uma volta no quarteirão, mais seguro procê.
Amauri - Eu tô aqui numa reuniãozinha com....
Bonato - Ai, ai, ai.
Amauri - É tranquilo.
Bonato - Eu te espero, ué.
Amauri - Tá só eu e o chefe, tô na sala dele, eu tô aqui na sala de reuniões e aqui tá tranquilo. Pode vir.
Bonato - Tá.

24 de abril, 12h18. Conversa entre Bonato e o chefe de Gabinete, Rogério Ortega, depois da entrega do dinheiro para Amauri.


Rogério - Diga lá.
Bonato - Agora vocês me pagam o almoço aí, velho, que sufuco esse negócio. Eu tô indo, tá tudo certo.
Rogerinho - Então tá bom, beleza, depois nos falamos.
Bonato - Vai almoçar por aí ou não?
Rogerinho - Eu acho que nem vai dar tempo, viu bonato?
Bonato - Pois é, tá bom.
Rogerinho - Nem vai dar tempo, mas à tarde nós conversamos, tá bom.
Bonato - Tá ok, só passa essa, eu ligo pro Cito ou cê passa informação para ele.
Rogerinho - Ah não, eu já falei com ele aqui, tá tudo tranquilo.

24 de abril, depois de ser preso em flagrante, já na sede do Gaeco, Bonato conversa com o promotor de Justiça Jorge Barreto e detalha como estava estruturado o pagamento da propina. Bonato fala sobre o encotro com Cito, Alysson de Carvalho e Rogério na prefeitura e confirma que todos sabiam sobre o esquema.

Bonato - Eu já falo com ele, falou assim. Daqui a pouco o Cito, eu percebi o movimento dentro da sala, eles levantaram, o Cito, passou por mim e falou, vem aqui, vem aqui. Descemos, pegamos o elevador, cruzamos a rua ele ligou para o Alysson, que é o Pinguim. Ligou pro Alysson. O Alysson deve ter dito alguma coisa pra ele e ele me chamou. E foi. Ele disse, espera aí. Esperei bem ali na rua mesmo. Não, tem ali, vocês conhecem ali.
Jorge - Oi?
Bonato - O fundo lá da administração. Aí eu fiquei ali, aí ele, o Cito ordenou o porteiro que era... o Alysson estacionar numa vaga ali em frente, que ia ficar só um pouquinho, ele foi lá, entraram no carro, aí...
Jorge - O Cito, no carro que quem?
Bonato - Ficou um minuto, do Alysson.
Jorge - Do Alyson?
Bonato - Saiu, passou por mim, vem aqui. Descemos, fomos no carro dele, eu fiquei lá fora, não entra aqui, entra aqui. Eu entrei, ele falou, será que não tem ninguém vendo? Mas vendo o quê? Aí o saco tava rasgadinho, pode ver que tá rasgadinho o saco, sabe? Tava aparecendo uma nota de dinheiro.
Jorge - Hã.
Bonato - Ele ainda apertou assim para não aparecer e enfiou assim, debaixo do meu braço: entrega pro cara lá. Aí, menino, deu um toque no telefone assim... O Amauri que deu um toque ou fui que liguei? Porque a bem da verdade eu liguei pra ele e falei assim: ô Amauri, to com o negócio aqui, to indo aí.
Jorge - Chegou na prefeitura, conversou com o Rogerinho...
Bonato - Humm.
Jorge - Então o Rogérinho, o Alysson, e o Marco tavam sabendo?
Bonato - Tavam sabendo.
Jorge - Sabiam para quem era o dinheiro?
Bonato - Sabia, sabia.

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