Clarín - Por que essa oposição aos transgênicos, se os agricultores brasileiros estão semenado a soja RR (Roundup Ready, com patente da Monsanto) e pedem a liberação dos transgênicos?

Requião - Os agricultores paranaenses não querem, e ninguém está plantando.

Clarín - Então, por que este ano os agricultores tiveram que pedir novamente a autorização para o plantio de transgênicos?

Requião - Foi somente por este ano. Na próxima safra não haverá trasngênicos no Paraná.

Clarín - Mas, qual o motivo?

Requião - Este é um negócio das multinacionais. Nós não vamos entregar nosso mercado pagando royalties a Monsanto. Além disso, os transgênicos nos causariam dependência tecnológica.

Clarín - Uma coisa de cada vez. Se sua cabeça dói, o que você faz: toma uma aspirina e dá dinheiro à multinacional Bayer ou fica com dor de cabeça para não pagar royalties?

Requião - Percebe-se que você é uma pessoa inteligente. A Monsanto está te pagando?

Clarín - Não, a Bayer que me paga. (risos)

Requião - Não vamos pagar royalties à Monsanto.

Clarín - Vamos à questão da dependência tecnológica. Por que você acredita que o uso de transgênicos vai criar dependência? Qual o risco?

Requião - Se um dia a Monsanto deixar o país, vamos ficar sem sementes.

Clarín - Mas nada obriga os agricultores paranaenses a ficar sem outras variedades de semente, como as convencionais da Embrapa que são usadas hoje. Elas ainda podem ser semeadas.

Requião - Não queremos que haja outro tipo de soja no Paraná porque vamos implementar um selo de qualidade (soja do Paraná) certificado por empresas líderes mundiais.

Clarín - Isso é incompatível com o plantio de transgênicos? Por que obrigar o produtor do Paraná a aderir obrigatoriamente a lei que proíbe os transgênicos, se os produtores não pensam ser um bom negócio?

Requião - Não plantar transgênicos é um bom negócio.

Clarín - Na Argentina é um bom negócio.

Requião - Vocês estão equivocados. Um dia os americanos vão ficar com todo o mercado de soja transgênica e a Argentina não vai ter a quem vender.

Clarín - Parece que a tendência é oposta: a Argentina está em primeiro lugar no mercado mundial de farinha e azeite, e cresce mais que os Estados Unidos.

Requião - Nosso produto vai valer muito mais. Por isso também proíbimos o embarque de soja transgência no porto de Paranaguá. Nem brasileira, nem paraguaia. Vai ser um porto limpo, com tolerância zero para os transgênicos.

Clarín - Não correm o risco de perder mercado, com a soja sendo embarcada por outros portos como o de Rosário (na Argentina)?

Requião - Que seja. Ou eliminam a soja transgênica ou não passam. O porto é nosso: a União nos deu a concessão e nós tomamos as decisões sobre ele.

Clarín - É uma aposta arriscada. O Paraná produz 12 milhões de toneladas de soja, e agora o mercado para soja sem transgenia é bem pequeno.

Requião - Isso vai mudar. O Greenpeace vai nos ajudar em nosso projeto de sermos livre de transgênicos.

Clarín - E como resolver o conflito com o ministro Roberto Rodrigues, que se opõe a seu projeto?

Requião - Ele é um representante das multinacionais. Ele recebe pela Monsanto.

Clarín - Está falando sério.

Requião - Estou falando sério.

Clarín - Mas os agricultores brasileiros estão pressionando para que os transgênicos sejam liberados.

Requião - Em algumas partes, como no Rio Grande do Sul, existem muitas pragas nas lavouras e os produtores são pequenos, precisando baixar custos. No Paraná não temos tantas pragas e os produtores são mais ricos.

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