Lei pode pegar 22 assembléias
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domingo, 24 de dezembro de 2000
Bruno Paes Manso Agência Estado De São Paulo 
A Lei de Responsabilidade Fiscal pode criar problemas para 22 dos 27 Legislativos estaduais, entre elas a do Paraná. No ano passado, os gastos com as Assembléias Legislativas nesses Estados ficaram acima do limite de 3% da receita líquida estabelecido pela nova legislação. Em lugares como Amapá, o campeão em gastança, o porcentual das despesas foi mais de três vezes superior ao teto legal. Com a entrada em vigor do limite de 3% em janeiro, alguns Legislativos estaduais terão de fazer mudanças drásticas para adequar-se.
O levantamento sobre as Assembléias foi realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que também preparou um ranking das mais enxutas e das que mais gastam. A idéia do levantamento foi apresentar uma fotografia da situação, porque as informações existentes eram escassas, conta a economista Erika Araújo, uma das autoras do estudo.
Embora os gastos da maioria estejam acima do limite legal, a situação em boa parte das Assembléias não é tão grave: apenas 12 gastaram mais do que 5% da receita e precisarão mexer em sua estrutura de maneira mais profunda. Dos que estão em situação delicada, 9 Estados são das regiões Norte e Nordeste (Acre, Alagoas, Amapá, Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Sergipe), 2 ficam no Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) e Minas é o único representante do Sudeste.
Os 15 restantes gastaram entre 3% a 5% da receita líquida. Com os dois anos de prazo para adequar-se à Lei Fiscal, não devem encontrar grandes dificuldades para realizar os ajustes. O estudo serve para mostrar que as Assembléias não são tão esbanjadoras, como diziam os governadores, nem tão enxutas como os deputados alardeavam, diz o gerente-geral da União Nacional das Assembléias Legislativas (Unale), Décio Guimarães.
Alvo de críticas este ano, quando deputados estaduais foram acusados de ter funcionários fantasmas, a Assembléia de São Paulo está em primeiro lugar entre as que menos gastam. Nossos gastos foram ainda menores dos que os apontados pelo estudo, garante o presidente da Casa, Wanderley Macris (PSDB). Estamos ainda mais enxutos.
Trabalhando abaixo do limite da lei, a Assembléia de São Paulo tem a companhia do Ceará, da Bahia, do Rio Grande do Sul e da Amazônia. No outro extremo, entre os que mais esbanjam, está o Amapá, seguido de perto por Roraima, Acre, Rondônia e Alagoas.
Para elaborar o ranking, os pesquisadores usaram critérios para detectar o peso dos custos das Assembléias para a população e a economia de cada Estado. A despesa foi confrontada com o número de habitantes, o Produto Interno Bruto (PIB) e a receita líquida dos Estados. São Paulo gastou no ano passado R$ 281 milhões com o Legislativo, sete vezes mais do que o Amapá.
Per capita - Proporcionalmente, contudo, cada paulista investiu menos no salário dos deputados e no dia-a-dia da Casa. A despesa per capita para sustentar seus legisladores foi de R$ 7,80 , enquanto os amapaenses gastaram R$ 92,00. A mordida no bolso dos habitantes de Roraima foi ainda maior: R$ 94,00 por pessoa.
Pela Lei Fiscal, o limite de 3% vale apenas para a folha de pagamento. Mas o estudo também considerou como despesas do Legislativo os investimentos e o custeio realizados por eles ao longo do ano.
Considerando a soma dos gastos de todos os Estados, pode-se perceber que, na média, houve excesso dos Legislativos estaduais ao longo dos anos, se comparados aos Poderes da União e municipais.
Os 26 Estados e o Distrito Federal gastaram no ano passado R$ 2,9 bilhões com seus Legislativos. Esse montante é equivalente ao que foi investido pelos 5.507 municípios nas Câmaras Municipais. O valor dos gastos das Assembléias supera em 73% as despesas da União com o Congresso.


