O governador Jaime Lerner (PFL) e a vice-governadora Emília Belinati (PTB) estão paralisados pela legislação eleitoral. Eles agiram com discrição ontem na primeira aparição em público como candidatos à reeleição. Orientados pelo secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, e pelo procurador-geral do Estado, Luiz Carlos Caldas, o governador e a vice mostraram que estão atentos às proibições da lei eleitoral que, se descumpridas, podem até inviabilizá-los como candidatos.
Lerner chegou no barracão da montadora Chrysler, em Campo Largo, município da região metropolitana de Curitiba, às 10h45, acompanhado da mulher, a secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, sem carro oficial. Ambos desembarcaram de um jipe modelo ‘‘Grand Cherokee’’, placa CLC 5459, da Chrysler e entraram pelos fundos do barracão. Lerner aguardou numa sala ‘vip’ o início da inauguração. A vice chegou em Campo Largo logo em seguida, às 11h10, com sua assessoria.
O governador não abriu a boca em toda cerimônia, que durou cerca de uma hora e meia. Lerner optou por não fazer pronunciamento, nem dar entrevistas sobre o assunto e política. Ele deixou para o secretário da Indústria e do Comércio, Eduardo Sciarra, a tarefa de representar o governo do Estado. Sciarri disse que a grande contribuição do governo Lerner é a ‘‘transformação’’ industrial vivida pelo Estado.
Os ministros do Trabalho, Edward Amadeom, e o da Indústria e Comércio, José Botafogo Gonçalves, o chairman da Chrysler, Robert Eaton, e o prefeito de Campo Largo, Newton Puppi (PFL), também colocaram o governador em evidência. Mesmo como convidado, Lerner foi citado como o idealizador da instalação da montadora no Estado. ‘‘Deus lhe pague, governador. O senhor não fez nesta cidade apenas um prefeito feliz, mas a sua transformação fez o povo feliz’’, discursou Puppi.
O cerimonial da Chrysler quebrou o ‘protocolo’ planejado pelo governador ao chamá-lo, no final da cerimônia, para posar para fotos ao lado da primeira picape Dodge Dakota, produzida em Campo Largo. Com um sorriso amarelo, Lerner subiu ao palco, mas logo em seguida retornou à sala ‘vip’, onde ficou cerca de trinta minutos aguardando a coletiva com os dirigentes da montadora. O governador acompanhou a entrevista a distância e respondeu apenas às perguntas feitas de forma isolada por alguns jornalistas.
‘‘A obra fala por si só. Não preciso dizer nada’’, disse Lerner, ao avaliar as limitações da lei eleitoral sobre os candidatos que disputam reeleição no poder. ‘‘E neste caso não falei porque estava afônico’’, emendou em tom de brincadeira. Ele afirmou ainda que pretende manter a postura de ontem em todas as solenidades oficiais. ‘‘Quando estiver em campanha, a coisa é diferente’’, avisou. Lerner ressaltou que até poderia ter feito pronunciamento, conforme orientação de sua equipe jurídica, mas que decidiu manter-se em silêncio para não estimular questionamentos.
A vice-governadora Emília Belinati não escondia o desconforto da situação. Também em silêncio durante toda a cerimônia, a vice disse ser ‘‘frustrante’’ trabalhar num projeto e, na hora de inaugurá-lo, ‘‘não poder participar como autoridade’’. ‘‘Mas tudo bem, os eleitores têm consciência de que o nosso governo abriu o Estado para a industrialização, iniciando um novo ciclo econômico’’, discursou.

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