Lei Fiscal acaba com orçamento de ficcção
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que vigora desde maio de 2000, vai impedir que os orçamentos do Executivo sejam peças de ficção, feitas num ano para serem desrespeitadas no outro. A avaliação é da economista Selene Peres Nunes, assessora do ministro Martus Tavares do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e que abriu ontem, em Londrina, o Seminário Sobre a LRF.
O seminário, que termina hoje no Cine-Teatro Ouro Verde, reúne mais de 70 prefeitos, vereadores e gestores da administração. No total, 1,4 mil pessoas se inscreveram. Além dos 800 lugares, os corredores e a parte externa do teatro foram ocupados.
A organização foi do Tribunal de Contas do Paraná (TCE), com apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL), prefeitura e Associação dos Municípios do Paraná. Estiveram presentes na abertura, além de Selene e o presidente do TCE, Rafael Iatauro, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, o presidente da Câmara Tercílio Turini, a diretora do Fórum, juíza Lidia Maejima, o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, entre outras autoridades. A nova lei vai acabar com a picaretagem na administração, anunciou Iatauro.
Na palestra de abertura, Selene destacou a importância da LRF para o ajuste sobretudo dos municípios. Assessora do Ministério do Planejamento desde 1996, ela foi uma das responsáveis pela elaboração da LRF e também da negociação da aprovação da lei no Congresso. Iniciamos o processo em setembro de 98, trabalhamos na aprovação e agora estamos na fase de implantação, disse ela, que tem feito palestra em vários Estados. Selene comentou que desde a aprovação da LRF, a média de acessos ao site do ministério na Internet é de aproximadamente mil por dia. Isso mostra que a lei já pegou. Para nós é importante porque representa a busca pelo ajuste, comentou.
Segundo ela, o equilíbrio entre receita e despesa, apesar de básico, ficou mais delimitado com a LRF. Selene observou que a nova lei estabelece como variante chave metas fiscais, impedindo que sejam criados aumentos de receita fictícios para poder gastar mais e, por consequência, criar dívidas. É preciso dizer quem vai pagar a conta, destacou a economista. Tudo que era feito sob a mesa passa a ser feito sobre a mesa.
Ontem, o evento contou com as palestras Gestão Fiscal e LRF, com o chefe da Secretaria para Assuntos Fiscais do BNDES, José Roberto Rodrigues Afonso, e A Atuação da Diretoria de Contas Municipais em Face da LRF, com a diretora de Contas Municipais do TCE-PR, Mauritânia Bogus Pereira.
Afonso disse que ficou surpreso com o número de participantes. Ele ressaltou que isso revela o grau de interesse que os administradores estão tendo com a LRF. Os prefeitos estão procurando cada vez mais se inteirar da lei, afirmou. A qualificação dos secretários e técnicos que atuam nas prefeituras é fundamental para que a lei seja cumprida com êxito. Ele isse que nenhuma lei recente na área fiscal ou econômica despertou tanto interesse como a LRF.
Hoje, as atividades têm início às 9 horas com a palestra Principais aspectos do controle externo na LRF, com o procurador-geral do TCE, Fernando Augusto Mello Guimarães. Às 10h45, a assessora jurídica do TCE, Simone Manassés Valaski vai falar sobre Responsabilidades na Gestão Fiscal. À tarde, o consultor Amir Antônio Khair fala sobre Como usar com maior proveito a LRF para o desenvolvimento econômico e social do município. (Colaborou Edna Mendes)


