A lei que impede a instalação de supermercados no Centro da cidade gerou um atrito público entre o prefeito Barbosa Neto (PDT) e o vice-prefeito José Joaquim Ribeiro (PSC).
Em entrevista à imprensa na quarta-feira, Ribeiro - que também preside o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel) - se posicionou favoravelmente ao projeto do vereador Roberto Fu (PDT), que revoga a lei aprovada em 2005, na gestão do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT).
As críticas de Barbosa foram feitas ontem durante a entrevista coletiva semanal.
''Ele (Ribeiro) tem posições que são antagônicas às minhas. Mas eu sou o prefeito, por enquanto, quem manda na prefeitura sou eu. O vice-prefeito está sendo o nosso ombudsman, mas é natural que ele faça suas colocações'', declarou Barbosa.
A reportagem entrou em contato com o vice-prefeito no exato momento em que ele estava reunido com Barbosa, em seu gabinete. Durante a conversa os dois reafirmaram o compromisso de respeito mútuo, e fizeram questão de deixar claro que as opiniões divergentes são normais e devem aparecer entre os dois, porém - concordaram - a última palavra sempre vai ser de Barbosa.
''Se eu estivesse no lugar dele eu faria o mesmo. Até porque ele é a autoridade que vem em primeiro lugar. O que não pode acontecer é pensarem que eu sou um alienado, que não participo das discuções sobre o Município. O prefeito me dá total liberdade, inclusive de discordar de alguns posicionamentos'', afirmou o vice.
Barbosa reiterou que em momento algum teve intenção de desrespeitar a autoridade do seu colega. ''Ele é meu número dois. Nunca o desautorizei a nada. Inclusive essas diferenças são saudáveis para que possamos sempre buscar o que é melhor para o Município. Mas eu reafirmo o que disse hoje (ontem) de manhã, quem está a frente, e toma as decisões finais sou eu'', declarou.
Sobre o projeto pelo vereador Roberto Fu líder da bancada governista na Câmara, Barbosa disse que não vai interferir nesta questão. ''Eu não falei com o Fu a esse respeito, e não pretendo (interferir). Temos um acordo com a Câmara que é de respeitar a vontade da população. Então, a partir dos resultados que virão do Plano Diretor, que é a base de tudo, é que iremos tomar a atitude que for necessária'', concluiu.
Fu disse que não ouviu as declarações de Barbosa e que não pensa em retirar o projeto. ''Há tempos eu gostaria de fazer esse projeto e estava esperando uma oportunidade. Há anos a sociedade londrinense espera a revogação dessa lei, que é vergonhosa. Isso é reserva de mercado'', afirma. (Colaborou Paula Barbosa Ocanha)

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