Lei contra nepotismo ganha destaque
Lei contra nepotismo ganha destaque
Contratação de parentes pelo governador de Alagoas, Ronaldo Bessa, agiliza aprovação de projeto no Congresso
Agência Estado
Arquivo FolhaNOVA
AVALIAÇÃOSenador Roberto Suplicy, do PT: Esse episódio (denúncia de nepotismo no Estado de Alagoas) mostra que a Câmara deve resgatar a tramitação desse projetoDeputados e senadores, constrangidos com a denúncia de prática de nepotismo no governo alagoano, tentarão acelerar no Congresso a tramitação do projeto de lei que estabelece restrições para a contratação de parentes no serviço público. A notícia de que o governador Ronaldo Lessa (PSB) tem pelo menos 14 familiares próximos empregados na administração estadual pegou de surpresa políticos aliados do governador socialista.
O presidente nacional do PSB e ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, não comentou o assunto. Mas a notícia provocou forte reação dentro do partido. Segundo um parlamentar que integra a executiva nacional do PSB, o caso deverá ser levado para a comissão de ética. O objetivo é avaliar o assunto o mais rapidamente possível. Mas não foi só no partido de Ronaldo Lessa que o fato chamou atenção.
Miguel Arraes, presidente nacional do PSB: sem comentárioIntegrantes do PT, principal partido que apóia a coligação alagoana encabeçada pelos socialistas, defendem que o caso deve ser tomado como exemplo para a aprovação do projeto de lei restringindo o nepotismo. Sou favorável que se resolva isso por meio de normas legais para evitar esse tipo de constrangimento, disse o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Esse episódio mostra que a Câmara deve resgatar a tramitação desse projeto.
O líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP), concorda. Ele lembra que o projeto que já tinha sido aprovado no Senado há um ano, caiu na Comissão de Constituição e Justiça, depois de uma alegação de inconstitucionalidade. Por isso sou favorável a uma emenda constitucional regulando o assunto, argumenta Genoíno. Segundo ele, o PT é contra a contratação de parentes de até 2º grau para cargos comissionados.
José Genoíno, líder do PT: por uma emenda constitucionalO nepotismo tem de ser proibido, afirma o petista. Mas isso não deve ser critério para fazer ou desfazer alianças. Para Genoíno, o caso Lessa acabará trazendo desgaste para os partidos de oposição. O nepotismo é uma tradição da política brasileira , é uma triste herança do patrimonialismo oligárquico do País, em que as famílias se confundem com o poder.
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), também atacou duramente o caso alagoano. A ética e a moral não é de direita ou de esquerda, mas deve ser condenada na atividade pública, avalia. Freire é o autor do projeto de lei que estabelecia a proibição de parentes até o 3º grau em cargos de confiança no Executivo, Legislativo e Judiciário e nos três níveis de poder. Ele também acha que essa pode ser uma boa oportunidade para retomar o tema. O grave é precisar de lei para regular uma questão como essa, argumenta.
Roberto Freire: Ética e moral não é de direita ou de esquerdaEm Alagoas, a contratação de 14 parentes por Ronaldo Lessa foi mal recebida. Entre os familiares estão irmãos, primos, cunhados, um sobrinho e até a mãe. Três deles ocupam funções que não são remuneradas, mas somados os salários chegam perto dos R$ 24 mil. O senador e ex-ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB-AL), levou um susto com a notícia.
Agora começo a compreender o significado do governo transparente, aquele que é feito com ajuda de parentes, ironizou. Isso é um socialismo em família.Calheiros desafiou Lessa a demitir todos os parentes do governo. Se fosse eu demitiria os familiares e contrataria funcionários por critérios de competência, disse o ex-ministro.
Senador e ex-ministro da Justiça Renan Calheiros: susto com a notíciaO presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), foi mais cauteloso nas críticas. Esse é um episódio que fica mal, sobretudo num momento em que o Estado está em crise, disse. Agora, apesar de nunca ter empregado nenhum parente, não vejo problema de contratar familiares caso sejam pessoas qualificadas.





