Curitiba - A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou ontem, em terceira e última votação, o projeto de lei que acaba com o fumo em qualquer local fechado, público ou privado, no Estado. A votação foi simbólica, diante de um plenário quase vazio. Na terça-feira, a segunda e principal votação da proposta antifumo - pois é a fase de votação das emendas apresentadas ao projeto de lei - se estendeu até as 20 horas. A emenda que autorizava o ''fumódromo'' foi derrubada com o apoio de 36 parlamentares, de um total de 54.
O líder do governo do Estado, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), comemorou ontem a vitória e admitiu que não esperava ''tantas adesões''. Até o início da votação, os cálculos extraoficiais apontavam um placar ''apertado'', o que acabou não ocorrendo na prática.
O projeto de lei agora segue para sanção do governo do Estado. Assim que publicada, a lei entra em vigor após 60 dias.
Em nota divulgada ontem, o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo, comemorou o resultado da votação. Macedo defende que a medida beneficia ''a saúde de todos'', ''do tabagista, que ficaria num ambiente fechado; do fumante passivo, que continuaria recebendo a fumaça; e dos trabalhadores dos estabelecimentos que tivessem fumódromos''.
Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Paraná (Abrasel/PR) se manifestou contrária à aprovação da regra. A Abrasel/PR sustenta que uma das consequências da proibição do fumo em bares e restaurantes será ''o desemprego de 72 mil pessoas em todo Paraná''. ''O setor, que possui 60 mil empresas de alimentação fora do lar, gera 360 mil empregos no Paraná. Com a lei, cerca de 20% dos trabalhadores devem perder seus empregos'', avalia o diretor executivo da Abrasel/PR, Luciano Bartolomeu. Ele afirma que cerca de 30% da clientela de bares e restaurantes é formada por fumantes. ''Com a diminuição do movimento, o faturamento cai e o desemprego bate à porta'', prevê. A Abrasel vai questionar a lei na esfera do Judiciário.
Indústria fumageira
O deputado estadual Ney Leprevost (PP) também protocolou ontem na Casa um projeto de lei que veda a concessão de créditos à indústria fumageira pelos diretores indicados pelo governo do Paraná ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). ''Já que se aprovou uma lei tão radical, então é coerente que os recursos públicos não sejam destinados a programas da indústria fumageira. Eles deveriam pegar dinheiro de bancos comuns, privados, comerciais. E hoje eles pegam dinheiro subsidiado'', disse o pepista.
Pelo texto da proposta, que ainda enfrentará comissões internas da Casa antes de ir a votação no plenário, ''ficam os representantes paranaenses que compõem o BRDE vedados de votar a favor de propostas para a concessão de empréstimos ou financiamentos que tenham como beneficiários empresas que produzam, beneficiem, industrializem ou comercializem produtos fumígenos''.

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