A Lei de Improbidade abriu um leque de possibilidades de punições aos transgressores, como a perda do cargo, suspensão dos direitos políticos por tempo determinado, ressarcimento dos recursos desviados e multa. ''A lei possibilita por exemplo o afastamento de um prefeito durante as investigações e sem isso fica difícil impedi-lo por exemplo de intimidar e ameaçar testemunhas'', explica o procurador Bruno Galati.
Só no caso dos desvios de recursos na prefeitura de Londrina, durante a última gestão do ex-prefeito Antônio Belinati, a promotora do Patrimônio Público, Solange Vincentin, acredita que ainda há muito a ser investigado. ''As suspeitas estão relacionadas com todo o dinheiro oriundo da venda das ações da Sercomtel (cerca de R$ 180 milhões) e de como foram utilizados não só na administração direta quanto indireta'', avisa a promotora.
O que preocupa a promotora é o fato dessas suspeitas nem serem esclarecidas por conta de um possível impedimento da aplicação da lei de improbidade. ''Geralmente nos casos de improbidade há sempre o dedo do agente político'', ressalta Solange.
Para o empresário londrinense e membro da Organização Não Governamental Transparência Nacional, Valter Orsi, a iniciativa do ministro Nelson Jobim vai na contramão na busca pelos direitos iguais no País. ''De nada adianta se implantar uma estrutura de combate a corrupção se não tivermos mais as penalidades. É um estímulo a impunidade'', considera Orsi, que também faz parte do Movimento Pés Vermelhos! Mãos Limpas.

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