Agência Estado
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Sanguinetti: laudo de Palhares ‘é ficção não-científica’O legista George Sanguinetti divulgou ontem, em São Paulo, um novo laudo sobre a morte do empresário Paulo César Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino da Silva. Ele conclui que houve duplo homicídio. Sanguinetti, diretor-geral do Hospital da Polícia Militar e professor de Medicina Legal da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), descarta a tese de crime passional - homicídio seguido de suicídio, conclusão do laudo oficial feito pelo legista da Unicamp (Universidade Estadual de C ampinas), Fortunato Badan Palhares.
De acordo com o legista alagoano, PC Farias foi morto às 2 horas da madrugada do dia 23 de junho e recebeu o tiro fora do quarto onde foi encontrado com a namorada, na sua casa de praia. Sanguinetti disse que o tiro foi disparado por uma ‘‘pessoa mais alta que ele (PC)’’, de cima para baixo e da esquerda para a direita. ‘‘Foi um tiro profissional, não de uma amadora como Suzana’’, afirmou. Segundo ele, Suzana foi espancada antes de morrer e há indícios de que ela teria sido pressionada na região do pescoço. O legista disse que não pode provar se o pescoço da namorada de PC foi quebrado porque não teve acesso às visceras e aos ossos retiradas na primeira exumação.
Sanguinetti garantiu que os corpos de PC e da namorada foram ‘‘arrumados na cama’’. O legista sustenta que houve acesso de pessoas à cena do crime. Em seu laudo, ele assegura que os telefonemas para o celular de Suzana - entre 3h54 e 5 horas -, registraram passos na casa. Além disso, a voz masculina, que aparece numa das ligações ‘‘não era a de PC’’. Conforme o legista, Suzana não cometeu suicídio nem há provas de que ela tenha usado a arma do crime. Ele disse que PC foi morto pela ‘‘máfia alagoana’’ e caberá a uma nova investigação policial esclarecer quantas pessoas participaram do crime e se houve ou não a cumplicidade de Suzana.
Durante entrevista à ‘‘Rádio CBN’’, Sanguinetti repetiu as críticas às autoridades de segurança de Alagoas, à família Farias e ao legista Badan Palhares. ‘‘O laudo do professor Badan é uma ficção não-científica’’, acusou. O legista afirmou ainda que o inquérito sobre o caso ‘‘trata mais de encobrir do que esclarecer’’ o crime.
O laudo de Sanguinetti foi entregue domingo à noite ao juiz da 8ª Vara Criminal de Maceió, Alberto Jorge Correia de Barros Lima, que poderá solicitar uma nova perícia sobre o caso. O juiz convocou o trabalho de Sanguinetti em 17 de março, atendendo a pedido da promotora da 8ª Vara Criminal, Faildes Mendonça. Agora o laudo será examinado pelo Ministério Público.

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