Legista diz ter provas de que crime não foi passional
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de abril de 1997
Agência Folha 
MACEIÓ - O legista alagoano George Sanguinetti já concluiu seu laudo sobre as mortes de Paulo César Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino. Ele afirmou à Agência Folha ter provas de que o crime não foi passional, como sustenta a versão oficial. Naquele tempo eu trabalhava com indícios. Agora, depois de estudar todos os documentos do caso, tenho provas de que a versão oficial está furada, afirmou.
Sanguinetti, porém, não quis mostrar as provas que diz ter. Vou divulgar tudo na segunda-feira (hoje), em São Paulo, para toda imprensa, disse. O legista alagoano diz ter encontrado nos documentos dos autos, principalmente no material da exumação do corpos, pontos falhos no trabalho da equipe liderada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
O legista alagoano foi chamado pelo Ministério Público e pelo juiz do caso, Alberto Jorge Correa, da 8ª Vara Criminal de Maceió (AL), para fazer o laudo, que tem cerca de cem páginas e conta com declarações de outros peritos criminais e legistas. O trabalho de Sanguinetti não é oficial. O laudo servirá de base para que a Justiça peça ou não uma nova perícia sobre as mortes.
Sanguinetti não pôde ser nomeado perito oficial da investigação por ter se manifestado durante a apuração do caso, o que é proibido pelo Código Penal Brasileiro. Sanguinetti foi nomeado para dar sua versão depois que a Folha de S.Paulo divulgou as supostas ligações do ex-tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello com a Máfia italiana e com o narcotráfico. Após analisar a versão de Sanguinetti, chamarei para depor a equipe do Badan Palhares. Caso as dúvidas persistam, usarei a lei para convocar nova perícia, afirmou o juiz Correa.


