Legista de Celso Daniel pode ter sido envenado
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Folhapress 
São Paulo - O promotor do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, Marcelo Milani, afirmou ontem que a hipótese de morte natural está descartada no caso do legista Carlos Delmonte Printes e que as investigações devem prosseguir para averiguar duas possibilidades: suicídio ou homicídio, sendo uma das hipóteses morte por envenenamento. Milani foi indicado pelo Ministério Público de São Paulo para acompanhar as investigações do caso do legista que fez a autópsia do prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em 2002.
''Os legistas que já examinaram o corpo não viram sinais de infarto ou de problema bronco-pulmonar'', disse ele. De acordo com o promotor, o primeiro passo da investigação será determinar a causa da morte do legista, que foi encontrado quarta-feira à tarde em seu escritório, na zona do sul de São Paulo. Milani ainda não convocou testemunhas sobre o caso. ''Por enquanto, nós estamos em compasso de espera. Nós devemos ter uma posição mais definida no final da semana que vem'', disse ele.
Para o delegado Domingos Paulo Neto, diretor do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), o mais provável é que a morte tenha sido natural. ''Inicialmente descartamos que tenha sido homicídio, mas tudo será investigado.''
O corpo de Printes foi encontrado na tarde desta quarta-feira em seu escritório na zona sul de São Paulo. O perito participou das investigações do caso Celso Daniel - prefeito petista assassinado em 2002 - e constatou na época que o político havia sido torturado.
Printes foi o primeiro a analisar o corpo e a sustentar que o prefeito foi brutalmente torturado. Ele, que disse ter sido ''censurado'' durante três anos, afirmou que considerava inverossímil a tese de crime comum, idéia defendida até hoje por integrantes do PT, partido do qual Celso Daniel fazia parte. Entretanto, há suspeitas de que a morte do prefeito de Santo André estaria relacionada a um suposto esquema de corrupção montado na cidade. A família do prefeito morto sempre defendeu a tese de crime político.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o escritório do perito, que fica na Vila Mariana (zona sul), não apresentava sinais de violência, como invasão. O corpo foi encontrado por seu filho, por volta das 13h. Printes estava caído no chão e de cuecas. Segundo a polícia, ele chegou ao prédio de madrugada para estudar, como costumava fazer. As fitas do circuito interno gravaram imagens do perito no prédio.


