Curitiba- A Assembleia Legislativa (AL) do Paraná é alvo de cerca de 50 diligências autorizadas pelo Judiciário a pedido do Ministério Público (MP) do Estado. As diligências, que implicam em quebra de sigilo fiscal, fazem parte dos 240 procedimentos abertos pelo MP até hoje e que envolvem a AL. A informação é do procurador de Justiça Arion Rolim Pereira, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, que ontem reuniu a imprensa para falar sobre as novas investigações na AL, abertas a partir das últimas denúncias feitas pela imprensa, em meados de março. Segundo ele, sete outros procedimentos foram abertos a partir das novas denúncias. Eles se somam aos 240 já existentes.
Os procedimentos podem ou não gerar ações civis ou penais na esfera do Judiciário. Até hoje, a Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba ajuizou 18 ações envolvendo a AL: 14 ações civis, que tratam de ressarcimento ao erário e improbidade administrativa, por exemplo; e quatro criminais, relativas a desvio de verba pública, por exemplo.
Pereira explicou que os novos casos - funcionários ''fantasmas'', pagamentos indevidos de salários, entre outras coisas - estão sendo investigados por seis promotores de Justiça, apoiados pela Procuradoria-Geral de Justiça e pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O procurador de Justiça informou, contudo, que a equipe não deve dar entrevistas à imprensa durante as investigações e que o trabalho poderá ter um ''desfecho paulatino''.
Ele afirmou que até agora as requisições feitas à AL foram atendidas e que também existem ofícios do MP já encaminhados a ''repartições públicas e privadas''. Em relação aos depoimentos, o procurador de Justiça confirmou que três das cinco pessoas que prestaram depoimento preferiram se manter caladas: Abib Miguel (diretor geral afastado após as denúncias), José Ary Nassiff (diretor administrativo afastado após as denúncias) e Cláudio Marques, diretor de pessoal, que se afastou ontem do cargo.
Na terça-feira, o MP havia recomendado à AL o afastamento do diretor de pessoal, já que o fato dele não ter colaborado com as investigações seria uma atitude suspeita. Ontem, a assessoria de imprensa da AL disse que o próprio diretor de pessoal pediu afastamento.
O diretor legislativo, Severo Sotto Maior, e o diretor financeiro, Wilians Romanzini, foram as outras duas pessoas que já prestaram depoimento ao MP, mas o conteúdo não foi divulgado. O procurador de Justiça também não quis antecipar quais pessoas ainda serão chamadas pelo MP. ''Serão ouvidas todas as pessoas envolvidas nas denúncias e aquelas que podem nos ajudar a esclarecer os fatos'', disse Pereira. Nenhum deputado estadual foi ouvido até agora.

mockup