LEGISLATIVO 2013 - Sem aliados eleitos, Kireeff já tem apoios na Câmara
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domingo, 04 de novembro de 2012
Edson Ferreira e Paula Barbosa Ocanha <br> Reportagem Local 
Embora o PSD, vitorioso na corrida pela Prefeitura de Londrina, não tenha feito nenhum vereador para a próxima legislatura, o prefeito eleito Alexandre Kireeff (PSD) deve iniciar o seu mandato com parte da Câmara já disposta a apoiá-lo. A FOLHA ouviu os parlamentares que vão assumir a cadeira em janeiro e pelo menos quatro confirmaram simpatia pelo discurso da ''mudança'' e da ''relação institucional'' entre os poderes, conforme o futuro chefe do Executivo pregou durante toda a sua campanha eleitoral. Outros seis vereadores querem ouvir a posição do partido, mas alegam que o bom relacionamento com a Casa vai depender do prefeito. Ninguém se declarou oposicionista. Dos 19, apenas Emanoel Gomes (PRB) se negou a conceder entrevista.
Confiante na ''política diferente'', sem oposição sistemática e sem barganha de cargos com a bancada da base, Professor Fabinho (PPS) disse que a legenda terá reunião, porém, deixou clara a sua posição de apoio. ''A princípio apoiamos o Kireeff. Inclusive eu votei nele.'' Na mesma linha está a vereadora Elza Correia (PMDB), retornando à Câmara para o terceiro mandato. ''Os vereadores têm que fiscalizar o Executivo sim, mas têm que acompanhar essa necessidade de mudança em Londrina.''
Gaucho Tamarrado (PDT), defensor de uma ''base política'', admitiu que já foi procurado pelo prefeito eleito e devem se reunir nesta semana. ''Não tem implicação nenhuma não ter vereador na Câmara.'' Ele nega que, para constituir maioria, é preciso ''dar cargos para aliados de vereadores''. ''Comigo não tem isso e acredito que o Alexandre não vai fazer isso.'' Retornando à Câmara, Sidney de Souza (PTB) preferiu não se intitular ''da base'', mas não poupou elogios ao novo prefeito. ''O discurso da técnica do Kireeff me agrada muito.'' Para ele, mais que ter maioria, ''o prefeito precisa ter um líder que possa traduzir para a Casa os projetos do Executivo''.
No entanto, entre os mais experientes, como Roberto Kanashiro (PSDB), que vai iniciar o seu sexto mandato consecutivo, o entendimento é de que o bom relacionamento vai depender do prefeito. ''Entre o discurso eleitoral e a prática da administração pública existe diferença e a relação entre os poderes é também política.'' Para o atual prefeito Gerson Araújo (PSDB), ''com o decorrer do tempo, chega um momento que o prefeito vai saber quem é a favor e quem é contra''. ''Qualquer governante tem que ter apoio político'', definiu.
No grupo dos indecisos, Marcos Belinati (PP) afirmou que ''se vou ser oposição ou situção não tem como falar, vamos agir dentro das atribuições''. Padre Roque (PR) segue a tese do ''bom para a cidade''. ''Fui eleito em um partido de oposição, mas vamos analisar juntamente os projetos.'' Ele entende que não há problemas em indicar nomes que vão ocupar cargos no Executivo, ''se forem técnicos''. Roque admitiu que o ex-prefeito Joaquim Ribeiro (PSC), que renunciou depois de ter sido preso, chegou a pedir indicações.
O novato Gustavo Richa (PHS) pretende esperar. ''Se ele tiver bons projetos vou estar do lado dele.'' Roberto Fú (PDT), declarando-se ''independente'', prega o diálogo e a abertura junto aos secretários municipais. ''É importante que tenha secretários lá explicando projetos, falando o porquê do projeto.'' Ele lembrou que entrou em desacordo com o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), mesmo quando ocupava a liderança na Casa.
Vilson Bittencourt (PSL) negou que pretenda fazer oposição ''declarada''. ''Em primeiro plano eu acredito que por ter sido eleito em uma coligação de oposição eu seria de oposição, mas sem oposição burra.'' O atual presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), foi pacificador. ''Sempre achei que os dois candidatos eram bons.'' Para ele, ''não podemos transformar a Câmara em um balcão de negócios''. Rumo ao quarto mandato, Sandra Graça (PP) disse que ''não temos como analisar essa questão de situação ou oposição''. ''Você imagina estar em situação ou oposição nessa gestão, por exemplo, que tivemos quatro prefeitos? Precisamos analisar cada projeto.''


