Curitiba - Os dias de trabalho dos deputados estaduais podem ficar mais enxutos por causa das eleições municipais. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), cogita a possibilidade de antecipar as sessões plenárias que acontecem nas quartas-feiras à tarde para a parte da manhã. Com isso, os deputados podem viajar mais cedo para as bases e cuidar de assuntos de campanha.
Ontem, a primeira sessão do semestre que reabriu os trabalhos após o recesso parlamentar de julho teve apenas cerca de cinco minutos de duração. Brandão abriu os trabalhos com um discurso de boas-vindas, e não houve discursos, como de praxe. Havia quórum, pois cerca de 30 dos 54 deputados estavam presentes. Mas não houve pauta de votação na reabertura dos trabalhos.
''Ainda ninguém me pediu, mas as sessões podem ser antecipadas. Não causa constrangimento algum. Até porque não há muitos projetos para votar. Eu mesmo estou avançando em alguns temas para apresentar projetos'', disse Brandão, poucos minutos antes do início da sessão de ontem.
Pelo menos oficialmente, os deputados criticaram a possibilidade de antecipar as sessões da tarde para a manhã de quarta-feira. O líder do governo, Natálio Stica (PT), disse que transferir as sessões eventualmente não faz mal, desde que o novo horário não se tranforme em regra. ''Se virar regra fica complicado. As sessões de terça podem ficar muito tumultuadas. Mas quando a pauta estiver folgada, não vejo problema'', avaliou. A oposição adotou um discurso mais rigoroso. ''Acho desnecessária (a antecipação). Fora os candidatos a prefeito, é perfeitamente possível estarmos aqui de segunda a quarta-feira'', declarou o líder da oposição, Durval Amaral (PFL). O deputado disse que a oposição não vai aceitar que o governo Requião tente esvaziar sessões como manobra apesar dessa tática ser usada comumente pelas duas bancadas, conforme o interesse.
As eleições municipais, apesar de só envolver diretamente oito deputados, que são candidatos, têm forte impacto na rotina da Casa. Dos prefeitos eleitos dependem os projetos de reeleição. Os deputados que não são candidatos também percorrem as cidades pedindo votos para seus aliados. É o caso de Augustinho Zucchi (PDT), que não é candidato mas tem percorrido a região Sudoeste, articulando em defesa dos candidatos do seu partido. Na opinião de Zucchi, podem ser feitas ''sessões extraordinárias sem custo''. É que, pelas regras da Casa, sempre que há uma sessão extra cada um dos 54 deputados embolsa R$ 400 a mais, incorporados ao salário de R$ 9,5 mil brutos. ''Não podemos ser hipócritas. Temos que trabalhar em cima da pauta'', completou.
Há cerca de um ano e meio, já houve um racionamento nos dias de sessão. A Assembléia fazia sessões de segunda a quinta-feira. De segunda a quarta, sempre à tarde, e nas quintas, pela manhã. Agora, as sessões de quinta são feitas na quarta-feira, que tem duas sessões ordinárias.
São candidatos Elza Correia (PMDB) e Homero Barbosa Neto (PDT), que disputam a Prefeitura de Londrina. Ângelo Vanhoni (PT) e Mauro Moraes (PL) brigam pela Prefeitura de Curitiba. Já Luciano Ducci (PSB) é candidato a vice-prefeito em Curitiba, na chapa encabeçada por Beto Richa (PSDB). A deputada Luciana Rafagnin (PT) concorre à Prefeitura de Francisco Beltrão. Fernando Ribas Carli (PP), em Guarapuava. E Nelson Tureck (PSDB) em Campo Mourão.

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