O procurador jurídico da Prefeitura de Maringá, Laércio Fondazzi, deve ajuizar hoje uma ação que contesta a legalidade da greve dos servidores municipais iniciada dia 5. ''São muitos os fundamentos (da ação). O principal é a impossibilidade do prefeito de conceder aumento devido a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)'', argumentou. Segundo Fondazzi, a folha de pagamentos de R$ 10 milhões por mês consome 51% da receita líquida do município - percentual considerado como alerta pelo Tribunal de Contas do Paraná (TC). O limite máximo estipulado pela LRF é de 54%.
A greve entra hoje no quarto dia sem qualquer negociação entre os trabalhadores e a administração. Ontem, o secretário Municipal de Administração, Ademar Schiavone, reafirmou que a prefeitura não pretende negociar com os servidores. A categoria reivindica reajuste de 16,67%, índice equivalente ao aumento do salário mínimo; pagamento de progressão funcional, o que significaria um adicional por produtividade de até 6% nos vencimentos; revisão do plano de cargos e salários; e fim do que o Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar) considera ''perseguição aos servidores''. A prefeitura aceita a reposição integral da inflação de 2005 (4,53%) mas descarta a concessão de aumento real.
''Não negociamos com grevistas. A greve está acabando. Amanhã (hoje) não vai ter mais nada'', argumentou o secretário com base em números que demonstrariam o enfraquecimento da adesão ao movimento grevista. Conforme Schiavone, ontem somente 600 dos 7,4 mil servidores estariam paralisados contra 900 registrados na terça-feira. ''Os serviços de saúde e educação estão normais. Só o lixo que está com problema e os servidores do Estar (Estacionamento Regulamentado) que estão parados'', relatou.
A presidente do Sismmar, Ana Pagamunici, negou que o movimento tenha perdido adesão. ''Nossa avaliação é que tínhamos no primeiro dia de greve 2 mil servidores parados e hoje somos em cerca 2,8 mil servidores. O movimento está conseguindo mais adesões. A prefeitura está tentando desconstruir o movimento. Permaneceremos em greve até chegarmos a uma negociação'', assegurou. Ana ainda considerou a postura do secretário de não abrir a negociação como uma instransigência. ''Estamos dispostos a negociar, mas entendemos que a prefeitura está criando empecilhos para não negociar'', complementou.

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