Os integrantes da CPI Estadual do Narcotráfico apresentaram novos dados sobre a lavagem de dinheiro na região de Foz do Iguaçu, por onde R$ 10,5 bilhões teriam passado, em operações envolvendo 11,3 mil pessoas. Segundo o presidente da comissão, Algaci Túlio, estes dados constam de 274 inquéritos. As informações foram repassadas ontem, depois que Algaci e os deputados Chico Noroeste e Fernando Carli foram à PF de Foz para colher informações que ligariam a lavagem de dinheiro e o uso ilegal das contas CC-5 ao narcotráfico na região. ‘‘Somente 36 flagrantes resultaram em R$ 5,95 milhões em valores apreendidos’’, disse. A CPI também convocou cinco policiais rodoviários federais, presos e condenados por extorsão, para prestar depoimento em Medianeira.
Segundo o relator da CPI, Ricardo Chab, o cruzamento das informações colhidas na Região Oeste indicou novos rumos. ‘‘Durante nossa permanência aqui, apareceu uma nova cidade da região tida como outro grande ponto de desmanche’’, comentou Chab, fazendo ligação com o fechamento de uma oficina ocorrida anteontem em Medianeira, cujos proprietários foram presos.
O deputado Tiago de Amorim Novaes também apresentou outros dados. Nomes como Irineu Domingos Soligo, vulgo Bingo, tido como um dos principais cabeças do narcotráfico da fronteira, acabaram chegando à CPI. ‘‘Sabemos que ele vive em Hernandárias (cidade paraguaia distante 25 quilômetros de Foz) e que usa avião para distribuir drogas em Foz, Guaíra, Palotina e Umuarama, a próxima cidade onde faremos investigações’’, anunciou Tiago, destacando também a visita de uma sub-comissão a ‘‘uma cidade do interior paulista’’, no final do mês.
A CPI voltou ontem a Medianeira para ouvir 11 pessoas, entre elas quatro policiais rodoviários federais e cinco oficiais presos em abril deste ano por extorsão. Sérgio Custódio Fertonani Souza, Jairo Aparecido Leonel, Cezar Antonio Bond Duarte, Waldemar Ernesto Fuchs e Vandereis Zecca foram convocados para falar sobre a existência de ‘‘policiais achacadores’’ na BR-277, principal via utilizada por sacoleiros, e existe ‘‘vista grossa’’ para a passagem de carros roubados ou o tráfico de drogas nas estradas. Os cinco disseram desconhecer tais ações dos colegas.
Souza declarou que daria informações apenas ‘‘em sigilo’’. Assim como os outros, ele foi condenado a 8,6 anos de prisão. Todos foram acusados de extorquir dois sacoleiros em Santa Terezinha de Itaipu. Eles teriam pedido US$ 2 mil para liberar a mercadoria de uma casal e ajudá-los a passar. No dia da prisão, Souza estava com o seu carro, um Passat importado estimado em R$ 80 mil. Todos estão cumprindo pena na Delegacia da Polícia Federal de Foz.
A CPI ouviu também uma mulher mantida na Cadeia de depois que ter sido presa com 28 quilos de maconha. Usando um capuz para proteger o rosto, ‘‘Maria’’ (nome fictício que usou) disse que conhecia apenas o vendedor da droga e que ele mora em Pedro Ruan Cabalero. Os depoimentos seguiram noite adentro e a previsão para encerramento era para às 22 horas. Desde a instalação da CPI, foram presas sete pessoas. As investigações no Paraná, caso não sejam prorrogadas, devem encerrar dia 14 de dezembro. Os deputados já receberam mais de 300 denúncias e ouviram quase 100 depoimentos.

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