Curitiba - Gilson Girardi, gerente administrativo do Banestado em Nova York entre 1997 e 1998, disse que o governo do Estado movimentava duas contas na agência norte-americana. Numa delas, aberta em 1997, o governo recebia o montade de recursos provenientes de empréstimos vindos do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
''Existe muito alarde em cima do Banestado de Nova York. O que não se está percebendo é que a lavagem de dinheiro ocorria no Brasil'', disse ele. Todos os procedimentos, segundo Girardi, eram de conhecimento dos diretores de câmbio do Banestado.
O aluguel do imóvel onde funcionava a agência era de US$ 15 mil. Haviam 12 funcionários. Mesmo assim, a agência gerava um lucro anual de US$ 1 milhão. Girardi foi o responsável por fazer a liquidação do banco, por determinação do Banco Central. ''Era uma exigência para a privatização'', disse.
Na época em que gerenciou a agência, haviam cerca de 350 contas. Destas, 30% movimentavam grandes quantias (milhões de dólares). Também foram ouvidos pela CPI do Banestado ontem os ex-gerentes Sérgio de Lima Conte, que procurou voluntariamente a comissão (foi gerente entre os anos de 1989 e 1990) e Gastão da Fonseca de Abreu (gerente administrativo de 1998 e 1999).
A CPI recebeu uma lista de 40 funcionários do Banestado que teriam conta em Nova York. Abreu negou que tivesse conhecimento do fato. Todos os ex-gerentes abriram os sigilos de suas contas e fisco para a análise dos parlamentares. ''Houve muita omissão'', acusou o deputado estadual Neivo Beraldin (PDT), presidente da CPI. (L.P.)

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