Lavagem de dinheiro engole 5% do PIB nacional
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - Levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o crime organizado movimenta US$ 2 trilhões ao ano no mundo, dos quais, US$ 1,3 trilhão ingressam no sistema financeiro para fins de lavagem. Os países industrializados, sobretudo os Estados Unidos, lideram o ranking em volume de dinheiro. Mas o Brasil, conforme a mesma estimativa, tem uma participação importante nesse mercado sujo, entre 2% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que projeta uma quantia entre US$ 10 bilhões e US$ 25 bilhões. Metade desse total provém da corrupção e o restante, de crimes como o tráfico de drogas e de armas e o contrabando.
Os dados foram revelados pelo representante da ONU no Brasil e no Cone Sul, Giovanni Quaglia, que veio participar do Encontro Internacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos, aberto ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O evento tem por objetivo discutir meios para reforçar no País a blindagem contra o crime organizado. Ele considerou corretas as providências que o Brasil vem adotando para prevenir e combater o crime organizado. ''A recomendação número um da ONU é justamente o que o Brasil está fazendo: uma boa coordenação institucional'', disse.
Segundo Quaglia, a corrupção causa uma sangria grande nas reservas de países em desenvolvimento, como o Brasil e afetam o crescimento da economia. No caso brasileiro, conforme o dirigente, os danos econômicos causados pelo crime estão mais para 5% do que para 2% do PIB. ''Há um consenso na comunidade internacional de que, para um país se desenvolver, precisa combater o crime organizado de todas as formas, porque ele tem impacto direto sobre o desenvolvimento econômico e social.
A ONU, conforme informou Quaglia, aprovou resolução que determina a abolição do sigilo bancário, para efeito de investigações criminais e o fim dos paraísos fiscais. O dirigente lembrou que países membros têm o dever de implementar as medidas. Mas reconheceu que, em países democráticos, como o Brasil, o processo é mais complexo porque a sociedade precisa ser ouvida e os direitos individuais respeitados. ''O processo está avançando em todo o mundo, mas é um trabalho a médio e longo prazos. Ao final, encontraremos o equilíbrio'', afirmou.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que o tema da lavagem de dinheiro entrou de vez na agenda nacional e detalhou as ações que os diversos órgãos de controle do Estado vêm desencadeando, de forma coordenada, para enfrentar as organizações criminosas. Ele informou que não existe ''solução mágica'', mas um conjunto de medidas que, combinadas, produzirão os resultados que o País deseja. ''O nosso trabalho é de construção institucional. Não é fazer chover, mas construir as nuvens'', afirmou.
Estiveram presentes à sessão de abertura ainda o ministro do Controle e da Transparência, Waldir Pires, o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, a secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas, e o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb. O encontro termina sexta-feira e tem, entre os conferencistas, dois juristas italianos, Giovanni Salvi e Piero Luigi Vigna, que se destacaram na luta contra a máfia em seu país.


