'Lava Jato vira palanque para demagogia'
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sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 
Para o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o debate foi morno e superficial e o nível, abaixo da média até pelo modelo adotado com oito candidatos à Presidência com um minuto e meio para discorrer sobre os temas apresentados.
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Sobre a Lava Jato e o combate à corrupção, o cientista político considera que os presidenciáveis não mostraram um posicionamento com propostas claras de combate. "A Lava Jato é um avanço cívico por prender políticos e empresários de primeiro escalão, além da recuperação de dinheiro. Mas no debate não passou de palanque para demagogia para políticos salvacionistas", avalia, em menção à frase de Alvaro Dias (Podemos), que utilizou diversas vezes o tema alegando que iria convocar o juiz Sergio Moro para Ministro da Justiça (leia nesta página).
Para o analista, a ausência do PT reforça a ideia da inelegibilidade de Lula para os eleitores. "Foi uma decisão arriscada, mas foi uma escolha política mantê-lo, mesmo preso pela Lava Jato em Curitiba". Prando afirma que o eleitorado de esquerda terá que buscar alternativas. "Boulos (PSOL) foi o único que fez referência a Lula, já Ciro (PDT), isolado pelo próprio PT quando Lula blindou o PSB, ficou mais retraído em citá-lo." O professor lembra que a esquerda desde 1989 tem Lula no palanque, mesmo com a ex-presidente Dilma Roussef tendo sido candidata por duas vezes. "Ele tem essa liderança e não deixou ninguém crescer."
Prando também destaca a presença de Cabo Daciolo (Patriota) como franco atirador. "Toda eleição tem essa figura alegórica. Até houve essa troca entre o Cabo e Capitão da reserva, que acabou sem querer ou não amenizando a figura controversa de Bolsonaro."
Em geral, para o analista não houve nenhum grande destaque positivo no primeiro debate na televisão. Prando diz acreditar que agora nas redes sociais é que as "edições" podem animar a militância de alguns candidatos. "Não dá para menosprezar. Agora a pergunta é: como esse debate vai ser usado pelos partidos? Ou até quando essa brincadeira na Internet terá influencia de decisão de voto?"


