Lava Jato prende executivos da Queiroz Galvão em nova fase
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terça-feira, 02 de agosto de 2016
Folhapress 
Curitiba - Em nova fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal prendeu, nessa terça (2), os empresários Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide Moraes Filho, ex-presidente e ex-diretor da Queiroz Galvão. A empreiteira é o alvo principal da 33ª etapa da operação, batizada de "Resta Um" -uma alusão à última das grandes construtoras do país que restava ser investigadas na Lava Jato.
Os dois haviam sido presos temporariamente na sétima fase da operação, em 2014.
Segundo a Polícia Federal, a Queiroz Galvão, terceira maior fornecedora da Petrobras, participava do cartel de empreiteiras que fraudava licitações da estatal.
Há indícios de que os executivos da construtora pagaram propina por meio de contratos de fachada, transferiram dinheiro a contas no exterior, usaram doações eleitorais para acertar subornos e repassaram por caixa dois dinheiro em eleição, além de tentar barrar investigações da CPI da Petrobras, em 2009.
"Ela [empresa] representa todos os pecados, todas as espécies de crimes que verificamos na Lava Jato", diz o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima.
A suspeita relacionada à CPI, descrita por delatores, já era alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), e ajudou a justificar a prisão dos executivos.
Para o juiz Sérgio Moro, chamou a atenção a forma como a empreiteira tentou obstruir a investigação sobre desvios na Petrobras e ocultar provas -inclusive com a saída do país de um de seus principais executivos, Augusto Amorim Costa, logo após a sétima fase da Lava Jato.
Costa era diretor da Queiroz Galvão e foi apontado por diversos delatores como o responsável pelo pagamento de propina na Petrobras. Ele saiu do país em novembro de 2014 e vive em Portugal.
"É mais um indicativo de risco à investigação e à instrução, soando o ato como dissipação de provas", escreveu o juiz em despacho.
Ao decretar a prisão preventiva (sem prazo determinado), ele também levou em conta a possibilidade de que novos crimes sejam praticados, já que a construtora detém mais contratos públicos.
Até agora, investigadores dizem ter rastreado o pagamento de R$ 10 milhões em propina pela Queiroz Galvão. O valor, porém, pode chegar a cerca de R$ 60 milhões e atingir políticos do PP, PT, PMDB e PSDB, de acordo com o relato de delatores.
CPI E CAIXA DOIS
A nova fase também servirá para colher provas adicionais sobre dois episódios: a obstrução à CPI de 2009 e o suposto caixa dois na campanha do ex-presidente Lula, em 2006. No caso da CPI, delatores apontam que a Queiroz Galvão pagou pelo menos R$ 10 milhões para frear a investigação parlamentar.Um dos executivos presos, Ildefonso Colares Filho, aparece em vídeo negociando pagamentos ao então senador Sérgio Guerra (PSDB), morto em 2014, e ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP), denunciado no STF.
Os valores, segundo Moro, "teriam sido abatidos do montante da propina devida" à Diretoria de Abastecimento da Petrobras. O rastro do dinheiro, porém, ainda não foi identificado pela PF.
Já o caixa dois da campanha de Lula foi relatado pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. Em delação premiada, ele afirmou que o consórcio Quip, responsável pela construção da plataforma P-53 e liderado pela Queiroz Galvão, repassou R$ 2,4 milhões de forma não oficial para a campanha de Lula em 2006.
A UTC participava do consórcio. Esses valores, porém, tampouco foram rastreados pela polícia.
A PF suspeita que a Quip, ao operar no exterior, tenha sido usada pela Queiroz Galvão para pagar propina a políticos e executivos da Petrobras.


