Lava Jato prende em Lisboa operador foragido
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segunda-feira, 21 de março de 2016
Gabriel Mascarenhas<br>Folhapress 
Brasília - A força-tarefa da Operação Lava Jato deflagrou sua 25ª fase na madrugada de ontem. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra o operador Raul Schmidt Felippe Junior, em Lisboa, Portugal.
Trata-se da primeira prisão no exterior de um integrante do esquema de corrupção da Petrobras. Essa etapa da Lava Jato foi batizada pelas autoridades portuguesas de "Polimento". O suspeito foi encontrado no apartamento em que mora, numa área nobre da cidade. Segundo avaliações preliminares dos investigadores, o imóvel vale aproximadamente 3 milhões de euros (cerca de R$ 12,4 milhões).
Investigado por suspeita de pagamento de propina aos ex-diretores da estatal Renato Duque, Jorge Zelada e Nestor Cerveró, ele também foi alvo de busca e apreensão. Os três ex-diretores estão atualmente presos.
O operador, que vivia em Londres, onde mantinha uma galeria de arte, estava foragido desde julho de 2015, quando foi expedida sua ordem de prisão. Seu nome havia sido incluído no alerta de difusão da Interpol em outubro do ano passado.
Além de atuar como operador, de acordo com o Ministério Público Federal, Schmidt "aparece como preposto de empresas internacionais na obtenção de contratos de exploração de plataformas da Petrobras". Ele tinha dupla nacionalidade, brasileira e portuguesa, e havia se mudado para Portugal após a deflagração da Operação Lava Jato. Em julho de 2015, durante a 15ª fase da Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro havia determinado o bloqueio de bens de Schmidt e também do ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada. Contra o operador Moro determinou o bloqueio de R$ 7 milhões e, de Zelada, de até R$ 20 milhões.
INDICIADOS
A Polícia Federal indiciou ontem os ex-deputados federais João Alberto Pizzolatti(atual secretário extraordinário de Relações Institucionais de Roraima) e Mário Negromonte (ex-ministro de Cidades e atual conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia) e os deputados Mário Negromonte Júnior (PP-BA), José Otávio Germano (PP-RS), Luiz Fernando Ramos Faria (PP-MG) e Roberto Pereira de Britto (PP-BA). Todos foram indiciados por corrupção passiva qualificada, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Lava Jato. Os inquéritos seguem para o Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República poderá oferecer denúncia contra os investigados.


