Curitiba - A Polícia Federal (PF) confirmou ontem que abriu 31 novos inquéritos referentes à operação Lava Jato, que investiga um mega esquema de lavagem de dinheiro de cerca de R$ 10 bilhões. Entre os inquéritos, 23 miram empresas que teriam alguma relação com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa; os demais inquéritos apuram as relações de clientes em transações com a doleira Nelma Mitsue Kodama. Os dois seguem presos, ele na carceragem da Superintendência da PF em Curitiba e ela na Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP).
Cada um dos novos inquéritos abertos foi requisitado pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná, que acompanha as investigações desde a instalação da força-tarefa, no mês de abril. Conforme o MPF, foi instaurado um inquérito para cada uma das 23 empresas que teriam relação com Costa. A apuração visa identificar a origem das ligações do ex-diretor durante sua gestão com as empresas e eventuais contratos por elas firmados com a Petrobras e com outros órgãos públicos.
"É um desdobramento natural a medida que novos documentos são analisados. Como já disse anteriormente, o volume de material apreendido é muito grande e aos poucos vamos requisitando a abertura de novos inquéritos", explicou o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa do MPF.
Paulo Roberto Costa atuou como diretor de Abastecimento da Petrobras de 2004 a 2012, e era responsável pelos projetos técnicos para construção de refinarias da estatal, como a Abreu e Lima, em Ipojuca, em Pernambuco. Nestes novos inquéritos ainda serão apurados se estas empresas têm alguma ligação com obras realizadas em outras refinarias da Petrobras, como a Refinaria Presidente Getúlio Vargas, a Repar, localizada em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.
"Os inquéritos acabaram de ser abertos, então não podemos adiantar muitas informações. Sabemos que o volume de informações é gigantesco e, por isso, requisitamos que cada empresa fosse investigada a parte. Desta forma fica mais fácil para organizar os trabalhos", afirmou o procurador.
Na ação penal em que Costa se tornou réu por desvio de recursos públicos nas obras da Abreu e Lima, além de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, Alberto Youssef também é citado. Por isso existem fortes suspeitas de que também haja ligação de algumas das empresas que estão sendo investigadas com o doleiro.

Montante

De acordo com o MPF, a Lava Jato reúne 10 mil documentos distribuídos em mais de 80 mil páginas, sem contar os dados financeiros enviados eletronicamente e as mídias apreendidas (computadores, laptops, pen drives) que demandam tempo para serem analisados. Até o momento, 45 pessoas já são réus em oito ações penais em andamento.
As denúncias feitas pelo MPF se basearam em informações levantadas por quatro inquéritos (cada um apurou a atuação de quatro doleiros: Alberto Youssef, Nelma Kodama, Carlos Habib Chater e Raul Henrique Srour). "Requisitamos também a abertura dos novos inquéritos relacionados à Nelma. Como se trata de uma operação deste tamanho é natural que ocorram desmembramentos de cada um dos núcleos comandados pelos doleiros. E isso deve ocorrer naturalmente", completou Lima.

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