'Lava Jato não intimidou doações de campanha'
Curitiba - O esquema criminoso de pagamento de propina a agentes públicos e políticos para garantir participação em grandes obras da Petrobras continuou atuando mesmo após a deflagração da operação Lava Jato, em março deste ano. A afirmação faz parte do requerimento apresentado pelos procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) ao pedir as prisões de executivos na semana passada, na sétima etapa da operação.
"Mesmo após a deflagração da operação Lava Jato, as empresas investigadas continuaram realizando doações milionárias a campanhas políticas. Somente a Camargo Correa "doou" R$ 44 milhões às campanhas em 2014", diz o órgão. "Nunca é demais lembrar que a representação policial menciona que parte dessas doações pode representar pagamento de propina para agentes públicos para obtenção de vantagem indevida, sendo as doações formais de campanha mera estratégia de lavagem de capitais", prossegue o MPF.
Conforme o MPF, este fato, por si só, demonstra que nem o parcial desmantelamento da "organização criminosa" foi suficiente para intimidar a ação da empresa de financiar a campanha de agentes políticos.
ESQUEMA ANTIGO
Ainda em sua fundamentação, o MPF ressalta que, embora não seja possível dimensionar o valor total do dano à estatal, "é possível afirmar que o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras".
Trecho do depoimento de colaboração de um executivo da Toyo-Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça, reforça a afirmação do MPF. Segundo ele, "o número de empresas que compunham o cartel foi ampliado a partir do final do ano de 2006, com a entrada das empresas OAS, Skanska, Queiroz Galvão, Engevix e Galvão Engenharia". Ou seja, as demais empreiteiras citadas na investigação já fariam parte de um "clube", como a Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Correa, Iesa, Mendes Júnior, entre outras. (R.C.J.)





