Curitiba - Integrantes da força-tarefa instalada pelo Ministério Público Federal (MPF) no Paraná para acompanhar o desdobramento da operação Lava Jato, informaram ontem, durante uma coletiva em Curitiba, que as investigações que apuram o envio de recursos oriundos de lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros para contas no exterior devem ser intensificadas nas próximas semanas.
Os procuradores do MPF ainda reforçaram que deve ser pedido às autoridades suíças nos próximos dias a quebra de sigilo bancário das 12 contas identificadas em cinco bancos daquele país, que somam US$ 28 milhões, e que teriam como beneficiários o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, seus familiares, além de um funcionário ligado ao doleiro Alberto Youssef. Segundo as investigações, tais contas seriam alimentadas com recursos desviados durante as obras de construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "Como Costa tinha passaporte português então possivelmente existam propriedades e outros bens na Europa em seu nome, e isso será apurado com certeza. Também já temos indicativos de que Youssef tinha diversas contas e muita movimentação financeira na Ásia, então o campo de investigação é muito amplo", ressaltou o procurador regional Carlos Fernando dos Santos Lima.
A força-tarefa confirmou que já tinha levantado indícios de que as contas no exterior existiam, entretanto a informação só foi confirmada pelas autoridades suíças e repassada ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, no dia 26 de maio. "É grande a probabilidade de que Paulo Roberto Costa tenha recursos em outros lugares. Como constatamos em outros casos, como o que cita Paulo Maluf e outros, por exemplo, as pessoas que mantém valores deste porte na Suíça não colocam todos os seus ovos numa só cesta, mas costumam distribuir seus recursos em outras lugares", afirmou o procurador regional Deltan Martanazzo Dallagnol.
De acordo com o MPF, a operação Lava Jato reúne 10 mil documentos distribuídos em mais de 80 mil páginas, sem contar os dados financeiros enviados eletronicamente e as mídias apreendidas (computadores, laptops, pen drives) que demandam tempo para serem analisados. "Estamos trabalhando com urgência para apresentar novas denúncias de lavagem de dinheiro. O número de réus deve crescer muito (45 em oito ações penais até o momento), principalmente a partir de novos dados. A cada bloco de informações que se analisa novos crimes são descobertos", reforçou Dallagnol.

Prisão
A Polícia Federal (PF) confirmou que Paulo Roberto Costa chegou na sede da Superintendência de Curitiba ontem, por volta das 13h30. Ele já tinha ficado preso na carceragem da PF por 59 dias. O ex-diretor da Petrobras chegou sem falar com a imprensa. Ele foi preso na tarde de quarta-feira em sua residência, no Rio de Janeiro.
O procurador Andrey Borges Mendonça explicou que o pedido de prisão de Costa foi motivado pela permanência dos fatos anteriores conjugados com as novas provas coletadas, como a descoberta das contas no exterior, além da omissão sobre o passaporte português. "Temos que considerar que ele continua negando a existência destes valores no exterior. O advogado dele reiterou este posicionamento, mas percebemos que não tem como justificar estes valores. Além disso, Costa só entregou o passaporte português depois que a notícia foi divulgada pela imprensa. E mais, por mais que o passaporte tenha sido apreendido, vimos recentemente o caso em que o STF tinha pedido o documento do Pizzolato, e isto não o impediu de fugir para o exterior", afirmou.

Delação premiada
O procurador Carlos Fernando também apontou que ainda não existe a perspectiva de discussão de acordos (delação premiada) para aqueles réus que concordarem em colaborar com as investigações. "Estamos ainda numa fase de conhecimento dos fatos e dos processos para ter qualquer tipo de acordo em vista. Nós não vamos oferecer, a não ser se formos procurados pelos réus ou seus advogados", disse.
No dia 21 de maio a Justiça Federal do Paraná acatou um pedido do MPF e decretou nova prisão preventiva do doleiro londrinense Alberto Youssef, referente ao Caso Banestado. No entendimento do MPF, Youssef quebrou uma cláusula do acordo feito em 2003, em que se comprometia a não cometer mais delitos caso recebesse o benefício. Por já ter oferecido denúncia contra Youssef referente à Lava Jato, o MPF considerou que houve quebra de acordo.
"Até agora não houve nenhuma colaboração por parte de nenhum réu. Nossa perspectiva é de que Youssef permaneça preso, não saia e cumpra as penas que vai ter que cumprir por todos os fatos, ou seja, vai ficar muito tempo preso", completou o procurador.

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