Curitiba - As duas primeiras testemunhas de acusação dos processos da Operação Lava Jato, designadas pelo juiz Sérgio Moro, foram ouvidas ontem em audiências de instrução realizadas na 13ª Vara Criminal Federal, em Curitiba. Enivaldo Quadrado e Waldomiro de Oliveira, que chegaram a ser denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF), estão em liberdade. O depoimento de Oliveira foi presencial, enquanto Quadrado se manifestou por videoconferência. Este último é doleiro e já tinha sido condenado no processo do mensalão a três anos e seis meses de prisão, cumprindo pena alternativa em Assis, no interior paulista. Já Oliveira teria colaborado com a Polícia Federal (PF) na tentativa de receber uma pena menor. Além disso, Waldomiro ainda é réu na ação penal que apura desvios de recursos públicos na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Na primeira audiência os dois teriam que prestar esclarecimentos em relação à ação penal que apura evasão de divisas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, inclusive envolvendo o laboratório Labogen. Todos os réus nesta ação compareceram à audiência: o doleiro Alberto Youssef, Esdra de Arantes Ferreira e Carlos Alberto Pereira da Costa (que seguem presos na carceragem da PF), além de Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Júnior e Raphael Flores Rodriguez.
Na segunda audiência, Waldomiro de Oliveira foi convocado como testemunha de acusação na ação penal que investiga os crimes de associação para o tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro tendo como antecedentes crimes de tráfico internacional e evasão de divisas. Além de Youssef, também citado neste processo, os réus Rene Luiz Pereira, André Catão de Miranda e o doleiro Carlos Habib Chater (detidos no sistema penitenciário) também compareceram à audiência. Outros réus nesta ação, Maria de Fátima Stocker segue presa na Espanha e Sleiman El Kobrossy ainda está foragido.

Defesas
O advogado de Alberto Youssef, Antônio Figueiredo Basto, saiu otimista da audiência. Segundo ele, as testemunhas não trouxeram nenhuma resposta que pudesse complicar seu cliente. "Ouviram testemunhas que não sabiam de nada sobre lavagem de dinheiro ou do laboratório Labogen", ressaltou. Ele ainda antecipou que vai pedir a liberdade de Youssef. "Imediatamente vou pedir a liberdade do meu cliente porque acabou a instrução deste processo, não vejo motivo para que ele permaneça preso. Ele não se manifestou e vai se manter em silêncio em todo o ato processual", completou.
Haroldo Cesar Nater, advogado de outros quatro réus do caso, também reforçou que, na sua percepção, as audiências foram pouco esclarecedoras. "O resultado para a defesa foi muito bom. Os dois não tinham conhecimento dos fatos que ocorriam dentro da Labogen. É uma empresa que opera na legalidade e que está produzindo, sendo, inclusive, reconhecida pela Anvisa", afirmou.

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