Lava Jato: empresário nega doação a Gleisi
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sábado, 08 de novembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Em manifestação feita por meio de assessoria de imprensa na tarde de ontem, o empresário e diretor de marketing do Shopping Total, em Curitiba, Michel Gelhorn, declarou que não conhece e jamais esteve na presença do doleiro Alberto Youssef. Além disso, ele ressaltou, em nota, "que nunca serviu de intermediário para entrega de valores à senadora Gleisi Hoffmann (PT) ou fez qualquer doação à sua campanha".
O doleiro teria dito em seus depoimentos à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) que fez o repasse, em quatro parcelas, ao empresário, que, posteriormente, repassaria o montante para a campanha de Gleisi ao Senado, em 2010. A própria senadora também já se manifestou sobre o assunto. Ela disse que as contas de sua campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral sem qualquer ressalva e que não conhece o doleiro.
Youssef fechou acordo de colaboração premiada e, desde o mês passado, está prestando esclarecimentos sobre as investigações da Lava Jato.
Michel Gelhorn também aguarda que seus advogados tenham acesso ao depoimento de Alberto Youssef para que sejam avaliadas as medidas cabíveis contra "as alegações infundadas" a respeito de seu nome. A nota oficial ainda destaca que "a diretoria do shopping e seus sócios se colocam a disposição das autoridades competentes para o completo esclarecimento dos fatos".
POLÍTICOS COM FORO
Quase quarenta dias depois de homologada a delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, ainda não há, oficialmente, nenhum procedimento aberto para apurar o envolvimento de políticos com foro privilegiado no suposto pagamento de propina por meio de recursos desviados de obras da estatal petrolífera, alvo de investigação da operação Lava Jato.
Após analisar o conteúdo da delação, a Procuradoria Geral da República (PGR) decidiu dar prosseguimento nas investigações e se manifestou favorável ao desmembramento dos depoimentos de Costa. Agora cabe ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki decidir pela cisão ou não do conteúdo da colaboração para que os procuradores da força-tarefa do MPF, que atuam em Curitiba, continuem com seus trabalhos.
Os trechos em que o ex-diretor da Petrobras cita políticos deve permanecer no Supremo devido ao foro privilegiado das pessoas envolvidas; e o restante, que envolve outros diretores da estatal, além de empresários e diretores de empreiteiras, retornar para a Justiça Federal do Paraná.
Por meio das assessorias, tanto a PGR quanto o STF não anteciparam se há alguma previsão para que ocorra um possível desmembramento do conteúdo da delação de Costa. O réu saiu da carceragem da PF em Curitiba no dia 1º de outubro, e atualmente cumpre prisão domiciliar em seu apartamento no Rio de Janeiro. Em seus depoimentos, Costa teria citado ao menos 28 políticos, entre deputados federais, senadores, ministros e governadores.
As declarações do engenheiro mecânico causaram muita dor de cabeça nos corredores do Congresso Nacional, principalmente após ele ter citado as siglas que teriam representantes envolvidos no caso, como PT, PMDB, PP, PSB, Solidariedade e PSDB.
NO AGUARDO
Os procuradores da força-tarefa do MPF que conduzem as investigações gerais da Lava Jato aguardam uma decisão para que possam prosseguir com a apuração dos crimes, inclusive para pedir novas quebras de sigilo bancário ou telefônico, por exemplo.
"Estamos aguardando uma decisão do ministro (Zavascki) para ver quais são os próximos passos a serem tomados. Esperamos que agora, sem a questão político-eleitoral, a coisa ande. Se deixarem a gente trabalhar vamos muito mais longe do que já estamos. Realmente estamos num momento de encruzilhada porque aguardamos a decisão para podermos saber qual será o destino da Lava Jato", ressaltou o procurador da força-tarefa do MPF Carlos Fernando dos Santos Lima, em entrevista à FOLHA.


