Lava Jato denuncia Abi e contador de Richa na Integração
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Guilherme Marconi/Reportagem Local 
São Paulo - A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou nessa quinta-feira (21) os operadores financeiros Luiz Abi Antoun e Dirceu Pupo Ferreira por organização criminosa e corrupção passiva. Ligados ao ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), os operadores são acusados envolvimento em desvios de R$ 8,4 bilhões por meio de supressões de obras rodoviárias e aumento de tarifas, em concessões do Anel de Integração. As informações foram divulgadas pela Procuradoria da República.
O Ministério Público Federal no Paraná - com apoio dos procuradores de Ponta Grossa, Paranavaí e Apucarana - protocolaram duas denúncias, porque Luiz Abi Antoun deixou o Brasil em setembro de 2018. O operador e primo de Beto Richa foi solto por uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Rádio Patrulha, do Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Luiz Abi Antoun foi alvo de um mandado de prisão temporária na 58ª fase da Lava Jato. Segundo a operação, "não há notícias de seu retorno ao Brasil, encontrando-se evadido para o Líbano sem previsão de volta". Os procuradores informaram que vão buscar cooperação jurídica internacional para citar o operador.
A nova acusação é um desdobramento da Operação Integração II, 58ª fase da Lava Jato, que tornou réus no final de janeiro Beto Richa, seu irmão, José Richa Filho (Pepe Richa) - ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Estado -, sua mulher, Fernanda Richa e o contador da família, Dirceu Pupo Ferreira. Também foram denunciados outros agentes públicos e privados envolvidos no esquema.
"CAIXA GERAL"
A investigação aponta que Luiz Abi Antoun exercia o papel de "caixa geral de propinas" arrecadadas em diversos setores do governo do Estado em benefício de Beto Richa. De acordo com a Lava Jato, Dirceu Pupo Ferreira tinha a função de reinserir na economia formal os valores ilícitos recebidos por Abi Antoun em nome do ex-governador por meio de operações de lavagem de dinheiro de aquisição de imóveis.
"Pupo operacionalizou o recebimento de pelo menos R$ 2,7 milhões, os quais foram utilizados na aquisição de imóveis em nome da empresa Ocaporã, pertencente à família Richa", informou o Ministério Público Federal.
De acordo com a denúncia, os valores usados por Dirceu Pupo Ferreira "para as aquisições dissimuladas de imóveis em favor da empresa da família Richa tinham como origem as propinas recebidas em espécie pelos operadores financeiros Luiz Abi e Pepe Richa em nome de Beto Richa e, posteriormente, repassadas a Dirceu Pupo Ferreira".
Os procuradores afirmam que Luiz Abi administrava uma espécie de caixa geral de propinas e Pepe Richa, por sua vez, arrecadava a propina diretamente de empresas que mantinham contratos com a Secretaria de Infraestrutura e Logística, dentre as quais as concessionárias de pedágio.
"No que diz respeito aos repasses de recursos a Dirceu Pupo, a partir de dados de celulares e de registros de entradas no Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), a investigação detectou a ocorrência de diversos encontros de Dirceu Pupo tanto com Luiz Abi quanto com Pepe Richa", registraram os procuradores em nota.
DEFESA
A defesa de Abi Antoun afirma que o operador está no Líbano em tratamento de saúde. À FOLHA, o advogado Anderson Mariano afirmou que "as acusações são todas inverídicas" e que Abi "provará a inocência na Justiça". Já a defesa de Dirceu Pupo não se manifestou até o fechamento da edição. (Colaborou Vitor Struck/Reportagem Local)


