Lava Jato de Curitiba repudia críticas de Aras e nega 'segredos'; senadores do PR pedem audiência com PGR
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quinta-feira, 30 de julho de 2020
Katna Baran/Folhapress e Pedro Moraes (Reportagem Local) 
Curitiba - Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba repudiaram nessa quarta-feira (29) críticas proferidas ao grupo e negaram a existência de "segredos" nas investigações.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou na terça (28) que o grupo é uma "caixa de segredos". "Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos", disse Aras em uma live.

As críticas do PGR repercutiram imediatamente no cenário político. Uma bancada no Senado que defende a operação repudiou as declarações de Aras e pediu uma audiência com o procurador em defesa da Lava Jato (leia mais abaixo). Os senadores paranaenses Alvaro Dias e Oriovisto Guimarães, ambos do Podemos, integram o grupo.
O MPF de Curitiba chamou as declarações do PGR de "infundadas" e citou que a discussão da qual o procurador participou era composta também por advogadas "que patrocinaram a defesa de influentes políticos e empresários investigados ou condenados na operação".
Os procuradores, comandados por Deltan Dallagnol, negaram que há segredos ou documentos ocultos no trabalho da força-tarefa. Os arquivos, destacaram, estão registrados nos sistemas do próprio MPF e da Justiça Federal e as investigações e processos são avaliados por diversos entes, incluindo toda a sociedade.
"Não há na força-tarefa documentos secretos ou insindicáveis das Corregedorias", argumentaram na nota.
Nessa quarta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se somou às críticas de Aras e afirmou ter a impressão de que o Ministério Público gosta de controlar, mas não quer ser fiscalizado.
A força-tarefa, por sua vez, alegou ser falsa a "suposição de que 38 mil pessoas foram escolhidas pela força-tarefa para serem investigadas". De acordo com o MPF/PR, esse é o número de pessoas físicas e jurídicas mencionadas em Relatórios de Inteligência Financeira encaminhados pelo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) ao grupo, o que faz parte do trabalho regular de verificação de suspeitas de lavagem de dinheiro.
O grupo afirmou ainda que a extensão da base de dados da operação revela a "amplitude" e a "necessidade de uma estrutura compatível" para o trabalho. As informações obtidas nas mais de 70 fases da Lava Jato, segundo os membros da força-tarefa, foram colhidas seguindo formalidades legais e procedimentais.
Por fim, os procuradores alegaram que uma parte da sociedade civil, desagradada com a investigação de crimes graves envolvendo políticos e grandes empresários, tenta desacreditar o trabalho da Lava Jato.
APOIO
Também em resposta às acusações de Aras, a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo divulgou a íntegra de informações já prestadas pelo grupo ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) igualmente reagiu às declarações de Aras e apoiou o trabalho dos membros do MPF, destacando que o modelo de forças-tarefa constitui exemplo internacional de sucesso para conduzir grandes e complexas investigações.
A instituição destacou por fim que, atualmente, há 23 forças-tarefas em funcionamento em todo MPF e que, de 2014 até agora, as diversas ações por elas desenvolvidas levaram a "potencial de reversão de recursos ao poder público" na ordem aproximadamente de R$ 30 bilhões.
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SENADORES DO PARANÁ PEDEM AUDIÊNCIA COM ARAS EM DEFESA DA LAVA JATO
Em resposta aos avanços públicos de Augusto Aras em direção à Lava Jato, os senadores pediram uma reunião com o Procurador-Geral da República nesta quarta-feira (29), para questionar quais são suas intenções relativas à operação. Ele foi cobrado sobre os compromissos que havia assumido em sua sabatina no Senado, antes de sua aprovação no cargo.
Entre parlamentares que estiveram no encontro, dois são da bancada paranaense. Alvaro Dias, líder do Podemos, afirmou que Aras assumiu dois compromissos importantes. “O primeiro é a preservação dos objetivos da Lava Jato, que é patrimônio nacional. Além da ampliação dos esforços e estrutura para o combate à corrupção em todas as frentes. O outro é o de não questionamento de sentenças já consagradas, foram 165 condenações em primeira e segunda instancia”, relatou Dias.
O outro integrante do time foi Oriovisto Guimarães, também do Podemos, que é publicamente defensor da operação. “Dedico grande parte de meu tempo como senador lutando pelo fim do foro privilegiado e pela instauração da prisão em segunda instância. No momento, existe em curso uma intensa movimentação para acabar com a Lava Jato e para desqualificar todos os atores públicos responsáveis pelo êxito dessa operação”, explicou o senador, que alerta para um movimento político. “Não podemos permitir essa inversão absurda que pretende absolver todos os que foram condenados pela Lava Jato e ao mesmo tempo condenar todos os responsáveis pela existência da operação”.
Apesar de não integrar o grupo, Flávio Arns (Rede-PR) disse acreditar que a operação é um marco na Justiça brasileira e critica que exista um tom jocoso para tratar de seus apoiadores. “Vejo com tristeza pessoas importantes do Brasil quererem terminar com as missões da Lava Jato e falar com ironia, se referindo a um lavajatismo”, afirmou Arns, que apontou sua confiança no grupo do Ministério Público Federal. “Confio nas pessoas que estão trabalhando, nos juízes, nos procuradores, que se empenham ao máximo a passar a limpo a história do País. Temos que apoiar essas pessoas, a operação e dizer o quanto ela serve de exemplo para o Brasil que queremos, que atinja a todos de forma igual”. (Pedro Moraes/Reportagem Local)


