Lava Jato cria clima de apreensão no Congresso
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sábado, 10 de maio de 2014
Roger Pereira<br> Reportagem Local 
Curitiba - Membro da Comissão Externa da Câmara e um dos propositores da CPI mista da Petrobras no Congresso Nacional, o deputado federal Fernando Francischini (Solidariedade) comentou na sexta-feira, durante sua passagem por Curitiba, os desdobramentos da Operação Lava Jato e o impasse para a instalação das CPIs pelo parlamento. "Não tem como tirar o viés político da investigação. Ela pode acabar caindo no colo do governo. Por isso esse temor muito grande por parte deles (do governo) e a tentativa de postergar a CPI. Mas, agora, depois de muita pressão, o presidente Renan Calheiros (PMDB) deu o prazo para a indicação dos nomes (dos membros da CPI). Estamos acreditando que não haverá mais manobras para adiar o processo", disse.
O deputado, que estará em Curitiba no dia 22 para colher depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, preso na operação, disse que já tem claro o modus operandi do esquema. "Está claro que eles agiam através de subcontratações de empresas terceirizadas, já com valores superfaturados, com a promessa de doação a políticos. O que eles não contavam era com o Paulo Roberto dando consultoria."
Francischini comentou que há um clima de grande apreensão no Congresso pelo fato de as investigações poderem envolver novos parlamentares. "O que o próprio governo está fazendo, agora, é espalhar lista de doações (das empresas investigadas pela operação a campanhas políticas) para constranger os deputados. Mas não me constrange. Eu recebi R$ 10 mil, legalmente, de uma dessas empresas, e sou o proponente da CPI", declarou. "Em breve, podem aparecer empréstimos do BNDES a obras dessas empresas no exterior, já com essas doações previstas também", indicou.
Explicação
Apontada como uma das candidatas que mais recebeu doações das empresas investigadas pela Operação Lava Jato, a senadora e pré-candidata do PT ao governo do Paraná, Gleisi Hoffmann, divulgou nota na sexta-feira dizendo que todas as doações recebidas por ela são oficiais, contabilizadas e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral sem qualquer ressalva. Gleisi recebeu R$ 2,1 milhões em doações de campanha de empresas investigadas pela operação.


