Lava Jato como opção turística
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domingo, 29 de maio de 2016
Chris Beller<br>Especial para a Folha 
Curitiba - Carlos Ricardo Cascaes embarca nesta quinta-feira para um tour histórico pela "República de Curitiba". Ele inaugura o serviço criado há um mês pela agência Special Paraná Turismo & Eventos passeando pelos caminhos onde político nenhum quer estar: o roteiro da Lava Jato. Vai visitar (por fora) os prédios onde tramitam as investigações do maior caso de corrupção no País.
Carioca morando em Brasília, o jornalista, de 54 anos, já conhece os pontos turísticos tradicionais da cidade e está ansioso para a nova viagem. "É um passeio simbólico. Uma amiga minha me disse que nos Estados Unidos tem um tour parecido sobre o caso Watergate." Verdade. Lá o passeio também é privativo e custa cerca de R$ 330. É mais que Cascaes vai pagar para fazer o tour em Curitiba, que varia de R$ 150 a R$ 340, dependendo do número de pessoas. Ele pagará R$ 240.
"Por questão de segurança não podemos visitar os prédios onde os promotores, juízes e policiais trabalham, mas temos um material de apoio que ilustra o esquema, mostra como são as carceragens e os guias estão por dentro de toda a investigação e vão contando no caminho as fases da operação", detalha Bibiana Antonia Comi. A empresária conta que o roteiro foi inspirado pelas consultas dos clientes da agência, especializada em recepcionar pequenos grupos de visitantes. Segundo ela, há seis meses o serviço receptivo recebe pedidos como "a gente pode passar na frente do trabalho do Moro", referindo-se ao juiz especializado em crimes financeiros que comanda as investigações na 13ª Vara Federal.
Cascaes é um desses turistas. Acompanha tudo e coleciona souvenirs. Ele lembrou que o posto de gasolina onde a investigação da Lava Jato começou fica em Brasília e já tirou foto no lugar. No Carnaval saiu com a máscara do "japonês da federal" e se prepara para tirar muitas fotos na semana que vem. "Eu admiro muito o Sérgio Moro, o Dallagnol. Seria ótimo se tivessem mil juízes como ele e como o pessoal do MPF", diz Cascaes.
Deltan Dallagnol é procurador do Ministério Público Federal (MPF) e integra a força-tarefa da Lava Jato junto com outros colegas. Assediados pela mídia e pelo público, eles não se expõem com frequência. "Mas todos têm que comer e ali perto do MPF tem alguns lugares onde eles costumam ir e os clientes adoram saber", confidencia Bibiana. Os encontros "sem querer" são raros, muito mais comuns, segundo ela, são as "selfies" em frente aos prédios e com bonecos de Sérgio Moro que estão na praça em frente à Justiça Federal, no bairro do Ahú. O turista também ganha um chaveiro da operação, como lembrança do passeio.



