Curitiba - As primeiras audiências das ações penais em que executivos e funcionários das empreiteiras OAS, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Engevix, Galvão Engenharia e Mendes Jr., respondem por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e formação de organização criminosa dentro das investigações da Operação Lava Jato começam nesta semana. A partir desta segunda-feira serão realizadas as oitivas de testemunhas de acusação arroladas pelos procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) no prédio da Justiça Federal do Paraná.
O órgão convocou dez testemunhas que serão ouvidas de amanhã até 13 de fevereiro. Entre elas estão os executivos do grupo Toyo-Setal que fecharam acordo de delação premiada com o MPF, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Gerin de Almeida Camargo; além da funcionária da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca; e a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Bonfim.
A audiência desta segunda-feira diz respeito ao processo que apura o envolvimento de executivos das empresas Camargo Corrêa e UTC Engenharia, e operadores do megaesquema de lavagem de dinheiro. Os réus desta ação penal são: Dalton dos Santos Avancini, Eduardo Hermelindo Leite e João Ricardo Auler (Camargo Corrêa); Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC); Alberto Youssef, Waldomiro de Oliveira, Marcio Andrade Bonilho, Jayme Alves de Oliveira Filho e Adarico Negromonte Filho.
Ao todo são 39 réus que respondem nestes seis processos que terão as oitivas iniciadas. Entre eles estão os 11 executivos que permanecem presos na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba, além do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró; e de Fernando Soares, o "Baiano".

DENÚNCIAS

Segundo o MPF, as empreiteiras se cartelizaram em um "clube" para fraudar licitações, no qual o caráter competitivo era apenas na aparência. Os preços oferecidos à Petrobras eram calculados e ajustados em reuniões secretas para definir quem ganharia o contrato e qual seria o preço, inflado em benefício privado. Os recursos desviados, conforme os procuradores, eram distribuídos aos beneficiários (agentes políticos e públicos e executivos) por meio de operadores financeiros do esquema, de 2004 a 2012, com pagamentos estendendo-se até 2014.
As empreiteiras integram o primeiro de três núcleos criminosos desvendados nas investigações, segundo apontou a força-tarefa do MPF. O segundo grupo é constituído pelos agentes públicos, ou seja, diretores da estatal e, no caso dos processos em trâmite, Paulo Roberto Costa. Para que o esquema criminoso funcionasse bem, era preciso garantir que apenas as empresas ligadas ao cartel fossem convidadas para as licitações – e que essas empresas que o cartel queria que fossem as vencedoras estivessem no grupo dos convidados. Já o terceiro grupo criminoso era formado por operadores financeiros, responsáveis por intermediar o pagamento e entregar a propina para os beneficiários, como Youssef, por exemplo.

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