Curitiba – Proprietário da Rio Marine Óleo e Gás e da Mago Consultoria e apontado pelos investigadores como operador do pagamento de propinas para a Odebrecht e Andrade Gutierrez, Mario Góes fechou colaboração premiada com os procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Este é o 20º acordo celebrado com investigados dentro da Operação Lava Jato, outros dois ainda seguem em sigilo.
A delação foi confirmada no despacho expedido ontem pelo juiz Sérgio Moro, ao acatar denúncia contra 13 pessoas, entre elas o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo e outros executivos, o próprio Mario Góes, além do doleiro Alberto Youssef e de ex-dirigentes da Petrobras. Agora todos são réus e acusados dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro
Entre as irregularidades constatadas, as investigações apontam que, em pelo menos nove contratos fechados com a Petrobras, a Andrade Gutierrez teria pagado vantagens indevidas em torno de 2% a 3% do valor total de cada obra para a diretoria de Serviços, que à época era comandada por Renato de Souza Duque.
Para justificar parte da propina paga ao ex-dirigente da estatal, a Andrade Gutierrez transferiu, entre 2007 e 2009, R$ 4,9 milhões à empresa Rio Marine, simulando contratos de consultoria para justificar os repasses. "Em recentes depoimentos buscando benefícios de colaboração, Mario Góes reconheceu ao MPF que, dos contratos de consultoria referidos da Rio Marine com a Andrade Gutierrez, cerca de R$ 1,5 milhão correspondiam a valores pagos em contraprestação de serviços efetivamente prestados, enquanto o restante (ou seja, R$ 3,4 milhões) seria propina dirigida a Pedro Barusco", destacou Moro.
Em outra forma de ocultar a origem de valores escusos, a Andrade Gutierrez, conforme destaca Moro, utilizando conta em nome da empresa Zagope Angola, no exterior e que é por ela controlada, transferiu US$ 6,4 milhões para conta em nome da off-shore Phad Corporation, na Suíça, que era controlada por Mario Góes. Através da conta Phad Corporation e de outra conta utilizada por Goes, a Maranelle, foram repassados algo em torno de US$ 20 milhões para contas mantidas na Suíça por Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras.
"(Góes) também reconheceu ser o titular da off-shore Phad Corporation; que os serviços no contrato com a Zagope eram simulados, que os recursos recebidos na Phad provinham, pelo que se recorda, todos da Andrade Gutierrez e que os valores, de cerca de US$ 6 milhões recebidos na conta, foram repassados a Pedro Barusco", completou o magistrado.
Outros métodos utilizadas pela Andrade Gutierrez, para lavagem dos recursos obtidos com o cartel e com o ajuste fraudulento das licitações e para o pagamento das propinas, foi o repasse de R$ 1,5 milhão para Alberto Youssef e simulação de contratos com empresas de fachada de titularidade de Fernando Soares, o "Baiano’ e seu sócio, Armando Furlan.
A defesa de Mario Góes não retornou às ligações da reportagem da FOLHA para comentar o acordo fechado com o MPF.

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