Brasília e Curitiba - O empreiteiro Gérson de Mello Almada, preso desde novembro pela Operação Juízo Final, sétima fase da Lava Jato, revelou um novo nome do PT no esquema de propinas em forma de doações eleitorais a partir do esquema de corrupção montado na Petrobras. Em depoimento à Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato, Almada - vice-presidente da Engevix Engenharia -, disse que ‘ajustava as doações’ com João Vaccari Neto, tesoureiro do partido. "E antes com Paulo Pereira", declarou. Os investigadores da Lava Jato suspeitam que o empreiteiro quis se referir a Paulo Ferreira, que ocupou o cargo de tesoureiro do PT entre 2005 e até 2010, quando, então, Vaccari assumiu a função.
À Justiça, anteontem, o empreiteiro Gérson Almada disse que sua aproximação com o PT foi feita pelo lobista Milton Pascowitch, apontado como operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobras, então sob comando de Renato Duque, indicado pelo partido. "Como ele (Pascowitch) tinha um relacionamento com o PT e na diretoria de Serviços, também ele trazia pedidos não vinculados a obras, né, mas vinculados a doações para o partido nas épocas das eleições ou em dificuldades de caixa do partido. Então, nós fizemos, teve um ano que eu doei que não era um ano eleitoral, foram feitas duas doações para o PT", declarou o empreiteiro. A reportagem não localizou Paulo Ferreira. A direção do PT refuta com veemência recebimento de propinas.

CONGELADO

O Ministério Público da Suíça informou ontem que devolveu ao Brasil até agora US$ 120 milhões desviados do esquema na Petrobras. Ao todo, segundo a procuradoria, US$ 400 milhões estão congelados e nove investigações foram abertas sobre o caso no país. Em nota, a procuradoria suíça disse ter recebido cerca de 60 relatos de suspeitos de lavagem de dinheiro ligadas ao escândalo de corrupção na Petrobras. Até agora, diz, 300 contas bancárias vinculadas a 30 bancos na Suíça foram vasculhadas por "aparentemente" integrarem o esquema de desvios de dinheiro no Brasil.
De acordo os suíços, a maioria dos beneficiários dessas contas são empresas, altos executivos da Petrobras e fornecedores - todos ligados, direta ou indiretamente, com as suspeitas de propina na Petrobras. As autoridades informaram ainda que abriram investigação contra oito brasileiros, além de outras pessoas que ainda não podem ser identificadas. A nota foi divulgada após dois dias de conversas em Brasília entre o procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, e o procurador-geral brasileiro, Rodrigo Janot.

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