São Paulo e Brasília - O presidente nacional do PT divulgou nota ontem na qual afirma repudiar "com veemência e indignação" as acusações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef na audiência na Justiça Federal de Curitiba. "O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras", afirma a nota.
Rui Falcão também disse lamentar a "repetição de vazamentos de depoimentos no Judiciário, tanto mais quando se trata de acusações sem provas" e afirmou que o PT "analisa a adoção de medidas judiciais cabíveis", segundo a nota. Também em nota, a Secretaria de Finanças do PT, comandada por João Vaccari Neto, rechaçou as acusações de Costa segundo as quais Vaccari seria o responsável por repassar os 3% de propina dos contratos da Petrobras ao partido. A secretaria afirmou ainda que vai "processar civil e criminalmente aqueles que têm investido contra sua honra e reputação".

PP
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, afirmou que seu partido não abrirá nenhum procedimento interno para apurar as acusações feitas por Costa. Nas respostas que deu às autoridades, Costa disse que PP, PMDB e PT ficavam com um porcentual dos contratos fechados por diretorias da Petrobras comandadas por apadrinhados. "Não temos instrumento para isso. Temos que confiar na Polícia Federal, no Ministério Público e na própria CPI", disse Nogueira ontem.

PMDB
O vice-presidente da República, Michel Temer, que é o presidente nacional do PMDB, afirmou por meio de sua assessoria que a legenda não vai se manifestar sobre esse caso. A reportagem falou ao telefone com o primeiro vice-presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), que comandou a sigla nos últimos anos, enquanto Temer estava afastado das atividades partidárias. Ele disse não ter lido as notícias sobre o depoimento de Costa e que não teria nada para dizer sobre o assunto.

Ex-diretores da estatal
Citados na última quarta-feira como participantes de um esquema de corrupção na Petrobras, ex-executivos da empresa se defenderam ontem das acusações. Renato Duque, que ocupou a diretoria de Serviços, disse que vai acionar Costa na Justiça por crime contra a honra. Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional, afirmou que vai ignorar a citação do seu cliente no depoimento, por considerar um "ato falho" do delator na Operação Lava Jato.
A Petrobras divulgou nota afirmando ser "vítima" nos processos. Enquanto o ex-presidente da empresa José Eduardo Dutra ressaltou que suas "vinculações com o PT são públicas e notórias". Apenas José Zelada, que substituiu Cerveró na diretoria Internacional, não se posicionou.
O mais enfático dos posicionamentos partiu de Renato Duque. "Se ele (Paulo Roberto) falou alguma coisa no meu nome, vai ser processado", declarou.

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