Laudos descartam maus tratos a Gouvêa
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) recebeu ontem do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina e do Instituto Médico Legal (IML) os laudos de exames que descartam lesão corporal ou quaisquer outros sinais de maus tratos em relação ao vereador afastado Rodrigo Gouvêa (PRP). O procedimento fora instaurado pelo coordenador do Gaeco na véspera, após depoimento do corregedor do Legislativo, vereador Rony Alves (PTB), relatando supostos maus tratos recebidos pelo parlamentar no interior do CDR. Segundo Alves, a situação teria sido apresentada a ele na quinta-feira passada pelo pai da namorada de Gouvêa, de modo que, na sequência, o petebista, acompanhado do vereador Joel Garcia (PDT), relatou o caso à juíza da 4ª Vara Criminal, Carla Pedalino. Já na sexta passada, Joel e mais dois vereadores, Gerson Araújo (PSDB) e Renato Lemes (PRB), visitaram o colega na cadeia juntamente com o padre César Braga.
Os exames de ontem, requeridos pelo Gaeco ao diretor-geral do CDR, major Raul Leão Vidal, foram realizados durante toda a manhã, na unidade prisional, e, à tarde, durante cerca de meia hora, no IML, ao qual Gouvêa chegou em um camburão do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), algemado e com o uniforme do Centro. Abatido, mais magro e de cabelos mais curtos, o vereador, que cumpria o primeiro mandato e responde atualmente a quatro ações na Justiça duas cíveis e duas criminais , chegou e saiu sem falar com a imprensa.
De acordo com o diretor-geral do CDR, o exame médico apontou bom estado global da saúde do parlamentar, sem motivo de lesão aparente. Já o laudos psicológico e psiquiátrico, afirmou Vidal, atestaram aspectos depressivos em decorrência da situação de excepcionalidade no caso, a prisão preventiva que hoje completa 15 dias , mas descartaram não apenas a necessidade de tratamento, como também de uso de medicação específica. O que o laudo psicológico indica, ainda, é que o preso deve participar de uma atividade laboral, aqui, mesmo, nas nossas de-pendências, completou.
Vidal declarou ainda que Gouvêa prestou depoimento, de manhã, a uma comissão de averiguação sumária instaurada, internamente, assim que o CDR recebeu, do Gaeco, o comunicado de supostos maus tratos e o pedido de providências formulado pela juíza da 4ª Vara Criminal. Indagado se o parlamentar sustentoua versão de maus tratos indicada pelos companheiros de plenário, o diretor da unidade negou. Ele negou maus tratos; confirmou apenas uma agressão verbal que teria sido dirigida contra si por um funcionário nosso, mas já estamos adotando as medidas cautelares a respeito, concluiu.
Já o diretor do IML de Londrina, Fernando Piccinin, encaminhou ainda no final da tarde de ontem ao Gaeco o laudo do exame de lesão corporal feito no vereador. No documento, foi atestado que a integridade física e emocional de Gouvêa não apresentou nenhum tipo de abalo. Foi constatada, ressalvou Piccinin, apenas uma marca pequena na parte de trás do pesçoco, o que era de fato visível a qual, no entanto, teria sido feita há mais de sete dias. Era uma lesão não compatível com histórico de maus tratos, definiu Piccinin. Questionado a respeito de, no IML, Gouvêa ter ou não relatado algum tipo de agressão, o diretor definiu: Indagado a respeito do motivo de estar ali para o exame, ele falou apenas que não sabia qual era; que havia sido solicitado internamente no CDR.
O coordenador do Gaeco confirmou o recebimento dos laudos, mas disse que vai aguardar o reenvio do material do CDR cujos laudos vieram manuscritos e, conforme o promotor, pouco legíveis para, só então, formar uma convic-ção sobre o caso.


