Ricardo Rodrigues
Agência Estado
De Maceió
Os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandam as investigações sobre as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, disseram ontem ser ‘‘falso’’ o laudo do médico legista Fortunato Badan Palhares sobre o caso e complicaram Badan, que deporia ontem à CPI do Narcotráfico em Campinas. ‘‘O laudo de Palhares foi feito sob encomenda, para dar sustentação à tese de crime passional: homicídio seguido de suicídio’’, afirmou Lessa.
Segundo os delegados, Badan poderá responder por crime de falsa perícia, porque no relatório que será entregue hoje à Justiça haverá um capítulo sobre os ‘‘erros grosseiros’’ cometidos pelo legista. ‘‘Se o juiz ou o promotor entender que houve má-fé na formatação desse laudo, será aberto um inquérito para apurar a responsabilidade de Badan e seus auxiliares.’’ Lessa acrescentou que no relatório a tese de crime passional é substituída pela tese de duplo homicídio.
Entre os erros no laudo, são destacados o exame residuográfico que não apresentou substâncias clássicas encontradas nas mãos de quem atira com arma de fogo; diferença entre a altura real de Suzana e a medição feita pelo legista; e a posição da namorada de PC na hora do tiro. Segundo o laudo, ela estava sentada, quando foi comprovado que ela recebeu os disparos em movimento.
‘‘Antes de a CPI do narcotráfico ter acusado Palhares de fraudar laudos para o crime organizado, nós já havíamos feito esse questionamento, quando pedimos a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dele’’, afirmou Alcides Andrade. Segundo ele, as informações sobre a quebra do sigilo ainda não foram entregues. ‘‘Isto atrapalhou as investigações, mas conseguimos por outros meios comprovar a falsidade do laudo de Badan.’’
O juiz da 2ª Vara Especial Criminal, Alberto Jorge Correia de Lima, disse que assim que receber o relatório dos delegados passará o inquérito ao promotor Luiz Vasconcellos, que decidirá pelo indiciamento ou não dos acusados. Por enquanto, os delegados confirmam apenas o indiciamento dos quatro PMs que trabalhavam como seguranças de PC no dia do crime: os cabos Reinaldo Correia de Lima Filho e Adeildo Costa dos Santos e os soldados Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva.

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