Laudo de Lagana aponta crime de prevaricação
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sexta-feira, 12 de abril de 2002
Lucinéia ParraEquipe da Folha 
Maringá - O corregedor-geral Idelberto Lagana concluiu ontem o inquérito que apurou o envolvimento de seis policiais civis acusados de recebimento de suborno para liberar dois integrantes da quadrilha que sequestrou e matou o prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT). O inquérito, com cerca de 250 páginas será entregue segunda-feira ao Ministério Público. Segundo Lagana, as provas conseguiram materializar apenas os crimes de abuso de autoridade e prevaricação quando o funcionário público deixa de realizar suas funções. Para o crime de suborno, entretanto, o corregedor disse que houve apenas indícios e não provas concretas.
Os seis policiais são acusados de ter participado da prisão de Ivan Rodrigues da Silva O Monstro, e de Elcyd Oliveira Brito O John, no dia 30 de janeiro deste ano, em Maringá. Silva tem prisão decretada por assalto. Ele foi condenado pela Justiça de Maringá, mas está foragido. No dia da prisão dos dois, um dos policiais envolvidos chegou a consultar sobre o nome de Ivan Rodrigues da Silva no sistema de informações da polícia. Mesmo assim ele foi solto no dia seguinte.
O pagamento de suborno aos policiais teria sido intermediado pelo advogado Marcos Cristiane Costa da Silva, que recebeu da mulher do Ivan, uma procuração de uma casa no valor de R$ 50 mil, uma picape Ranger e R$ 10 mil em dinheiro. Anteontem, a esposa de Ivan, Elaine Paz prestou depoimento no Fórum de Maringá. Ela confirmou as informações anteriores, prestadas à polícia do Paraná, de que no dia da prisão de Ivan, contratou um advogado da família para representá-lo. No entanto, ao chegar na delegacia de Maringá, o advogado foi dispensado pelo próprio Ivan que alegou que outro advogado já estava no caso. Foi Ivan, segundo Elaine, quem pediu a ela para que entregasse a Marcos Cristiane os R$ 10 mil, a casa e o carro.
De acordo com Lagana, o advogado Marcos Cristiane devolveu a Elaine Paz a escritura da casa, a picape e R$ 8 mil em dinheiro. Os seis policiais conforme o corregedor estão à disposição do comando da Polícia Civil do Paraná e passam agora a responder o inquérito administrativo que está sob responsabilidade de Nabor Sotto Maior. Se condenados pelos crimes de abuso de autoridade e prevaricação, os policiais deverão ser expulsos da corporação.


