Agência Estado
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Mais tempoCavalcanti (esq.): necessidade de mais investigação para descobrir identidade de dois novos envolvidosO laudo sobre as fitas com denúncias de compra de votos pró-reeleição, divulgado ontem pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), incrimina os deputados Ronivon Santiago e João Maia, expulsos do PFL-AC. As fitas são autênticas e as vozes gravadas, dos dois parlamentares, confirmou o perito Ricardo de Figueiredo Molina. O exame revelou outros dois nomes, ‘‘Célia’’ e ‘‘Almir’’, que ainda não haviam sido divulgados.
Os nomes foram citados pelo deputado Ronivon Santiago na gravação: ‘‘Ah, tava tranquilo não, mas eu acho que não. O Almir disse que recebeu. Falou ontem para a Célia na minha frente’’. O presidente da Comissão que investiga o caso, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), afirmou que ainda precisa investigar para identificar as pessoas citadas por Ronivon.
O laudo, com 78 páginas, atesta a autenticidade das gravações. ‘‘Não houve nenhum tipo de montagem’’, garantiu o perito da Unicamp. As gravações não foram feitas por telefone, diz, pois as informações acústicas examinadas ‘‘apresentam mais de 3,5 mil hertz, o limite dos canais telefônicos’’. Esta seria uma prova objetiva.
Apesar de afirmar que as gravações foram feitas ‘‘ao vivo’’, o laudo não revela se o microfone usado estava oculto ou aparente, o que levanta a possibilidade de Santiago e Maia saberem que as conversas estavam sendo gravadas. ‘‘É possível descobrir isso, mas não tivemos tempo e a Comissão também não quis saber isso’’, disse o perito, que recebeu as fitas para análise na sexta-feira.
A maior parte das fitas apresenta ruído de fundo, indício de que os diálogos podem ter sido gravados em locais públicos ou abertos, diz Figueiredo. ‘‘Em apenas uma das fitas o som está mais abafado, mas também não foi possível identificar o ambiente.’’ Para o especialista, a pessoa que fez as gravações pode ter usado um simples microcassete ou um equipamento mais sofisticado, controlado a distância.’’
Os peritos analisaram 17 minutos e 43 segundos de conversas dos dois deputados e usaram outras fitas, com entrevistas e depoimentos dos parlamentares, para comparar o material. Além do som, foram avaliados a entonação, sotaques e vícios fonéticos. Os técnicos também usaram o espectógrafo, um aparelho que transforma os sinais vocais em impulsos gráficos.
Os exames demonstraram características constantes nos materiais comparados, o que permitiu confirmar a identificação. ‘‘É como se fosse a assinatura das pessoas questionadas’’, explicou o perito. Para demonstrar a precisão do exame, Figueiredo mostrou os impulsos gráficos captados a partir de palavras como ‘‘federal’’ e ‘‘dinheiro’’, ditas por Maia, e ‘‘Orleir’’ e ‘‘cheque’’, pronunciadas por Santiago.

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