Laudo confirma: vozes são de deputados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 1997
Agência Estado De Campinas 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Mais tempoCavalcanti (esq.): necessidade de mais investigação para descobrir identidade de dois novos envolvidosO laudo sobre as fitas com denúncias de compra de votos pró-reeleição, divulgado ontem pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), incrimina os deputados Ronivon Santiago e João Maia, expulsos do PFL-AC. As fitas são autênticas e as vozes gravadas, dos dois parlamentares, confirmou o perito Ricardo de Figueiredo Molina. O exame revelou outros dois nomes, Célia e Almir, que ainda não haviam sido divulgados.
Os nomes foram citados pelo deputado Ronivon Santiago na gravação: Ah, tava tranquilo não, mas eu acho que não. O Almir disse que recebeu. Falou ontem para a Célia na minha frente. O presidente da Comissão que investiga o caso, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), afirmou que ainda precisa investigar para identificar as pessoas citadas por Ronivon.
O laudo, com 78 páginas, atesta a autenticidade das gravações. Não houve nenhum tipo de montagem, garantiu o perito da Unicamp. As gravações não foram feitas por telefone, diz, pois as informações acústicas examinadas apresentam mais de 3,5 mil hertz, o limite dos canais telefônicos. Esta seria uma prova objetiva.
Apesar de afirmar que as gravações foram feitas ao vivo, o laudo não revela se o microfone usado estava oculto ou aparente, o que levanta a possibilidade de Santiago e Maia saberem que as conversas estavam sendo gravadas. É possível descobrir isso, mas não tivemos tempo e a Comissão também não quis saber isso, disse o perito, que recebeu as fitas para análise na sexta-feira.
A maior parte das fitas apresenta ruído de fundo, indício de que os diálogos podem ter sido gravados em locais públicos ou abertos, diz Figueiredo. Em apenas uma das fitas o som está mais abafado, mas também não foi possível identificar o ambiente. Para o especialista, a pessoa que fez as gravações pode ter usado um simples microcassete ou um equipamento mais sofisticado, controlado a distância.
Os peritos analisaram 17 minutos e 43 segundos de conversas dos dois deputados e usaram outras fitas, com entrevistas e depoimentos dos parlamentares, para comparar o material. Além do som, foram avaliados a entonação, sotaques e vícios fonéticos. Os técnicos também usaram o espectógrafo, um aparelho que transforma os sinais vocais em impulsos gráficos.
Os exames demonstraram características constantes nos materiais comparados, o que permitiu confirmar a identificação. É como se fosse a assinatura das pessoas questionadas, explicou o perito. Para demonstrar a precisão do exame, Figueiredo mostrou os impulsos gráficos captados a partir de palavras como federal e dinheiro, ditas por Maia, e Orleir e cheque, pronunciadas por Santiago.


