Laudo aponta suicídio do legista de Daniel
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sexta-feira, 17 de março de 2006
Folhapress 
São Paulo - O DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo concluiu ontem que o médico-legista Carlos Delmonte Printes, responsável pela autópsia do corpo de Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André assassinado, cometeu suicídio. O corpo de Printes foi encontrado no dia 12 de outubro de 2005. Meses antes, ele havia dito que Daniel tinha sido torturado antes de ser morto, o que contrariava a tese da polícia de crime comum. A manifestação causou desconforto na chefia da polícia, que determinou uma retratação pública.
O fato de Printes estar envolvido na investigação do caso de Daniel e de outras seis pessoas ligadas ao crime terem sido assassinadas, aumentava as suspeitas em relação à causa da morte dele. ''Não temos mais dúvidas de que foi suicídio. Printes provocou um quadro de asfixia para tentar simular morte natural'', afirmou o delegado José Antonio do Nascimento, do DHPP.
Médicos-legistas encontraram no corpo do perito três substâncias que, de forma isolada, não causam danos ao corpo. Juntas, no entanto, e em um paciente com a saúde já debilitada, como era o caso de Printes, que estava com broncopneumonia, levam ao óbito.
Segundo os legistas Paulo Sérgio Alves e Ricardo Cristofi, qualquer médico sabe que as substâncias encontradas não podem ser ingeridas por alguém com problema respiratório.
Ao laudo, somam-se fatos da vida de Printes. Dias antes da morte, ele transferiu R$ 100 mil para a ex-mulher, com a recomendação de que o dinheiro fosse usado no tratamento de um dos filhos, escreveu cartas de despedidas e apagou arquivos do computador. O inquérito será enviado para a Promotoria para parecer final.


