Curitiba - Laudo feito por peritos da Polícia Federal em um dos contratos da refinaria Abreu e Lima, reforçou as suspeitas de sobrepreço e cartel em obras da Petrobras, conforme apontaram as investigações da Operação Lava Jato. No documento de 209 páginas, enviado na terça-feira à Justiça, os peritos afirmam que um "conluio" das empreiteiras impôs um sobrepreço de 16,8% ao contrato, e que foi estabelecido "um modus operandi sofisticado, planejado para dissimular o relacionamento do consórcio com empresas operadoras de lavagem de capitais". A obra, para construir a unidade de coqueamento da refinaria, foi feita por um consórcio liderado pela Camargo Corrêa. O contrato valia R$ 4,5 bilhões - o sobrepreço chegou a R$ 648,5 milhões. Os peritos apontam que R$ 126 milhões desse montante foram destinados a empresas de fachada, que faziam lavagem de dinheiro, por meio de "operações fraudulentas, que visaram dar aparência de legalidade à transferência de recursos oriundos do sobrepreço". Entre os destinatários desses recursos, estão empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, preso na Lava Jato, e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa - que já admitiram o pagamento de propina em obras da estatal. A PF prepara laudos sobre outras obras investigadas, com o objetivo de apurar o real prejuízo que o esquema gerou à Petrobras. Segundo o delegado Igor Romário de Paula, esse prejuízo pode chegar a R$ 19 bilhões.

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