''Laranja'' preso em Ibiporã confirma versão à Federal
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segunda-feira, 21 de agosto de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O delegado Sandro Roberto dos Santos, da Polícia Federal (PF), ouviu ontem de manhã o pintor Ilson Antônio Henrique de Oliveira, de 32 anos, que teve os documentos usados para a abertura de empresas e contas fantasmas em agências do Banestado de Londrina. O pintor teria sido mais um laranja usado em esquema que lavou dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas.
Ilson Oliveira, que está preso em Ibiporã acusado de furto, reafirmou à PF o que já havia declarado à imprensa. Segundo ele, em 1997 perdeu todos os documentos quando sentou para fumar na beira de uma linha de trem. Pouco tempo depois, o pintor foi procurado pela PF e pela Receita porque os documentos foram usados para abrir uma conta fantasma no Uruguai.
Desta vez, a documentação de Ilson Oliveira serviu para abrir três empresas fantasmas: NP de Oliveira e Cia S/C Ltda, Oliveira e Santos S/C Ltda e Paulo & Ilson S/C Ltda que está também em nome do metalúrgico Paulo César do Nascimento, de Maringá, que perdeu os documentos e acabou virando outro laranja do esquema. Ilson Oliveira teve ainda uma conta fantasma aberta em nome de pessoa física no Banestado.
Além de Ilson e Paulo Nascimento, outros laranjas foram utilizados no esquema de lavagem de dinheiro. Um deles é José dos Santos, de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), que teve a fotografia usada para a abertura da empresa e contas fantasmas no Banestado em nome da empresa Freitas & Dutra, que também só existe no papel.
O esquema utilizou ainda uma empresa de São Bernardo do Campo (SP), a Realty Participações, controlada por Márcio Luchesi. A Realty tem 99% do capital pertencentes à Norgred Sociedad Anonima, empresa uruguaia utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Melo na chamada Operação Uruguai. A PF já avisou que tem elementos suficientes para pedir a prisão do falso empresário.


