Brasília- O deputado Pinheiro Landim (sem partido-CE) negou ontem, durante depoimento à Comissão de Sindicância da Câmara, qualquer envolvimento na intermediação de venda de habeas-corpus para traficantes. Segundo um dos parlamentares presentes ao depoimento, que foi fechado à imprensa, Landim chorou por cerca de 10 minutos ao fazer um relato de sua vida e se recusou a ouvir as gravações feitas pela Polícia Federal de conversas suas com o traficante Leonardo Dias Mendonça, entre outros. O deputado tentou ainda desqualificar essas gravações.
No próximo dia 25, a Comissão apresenta parecer à Mesa Diretora da Câmara, supostamente recomendando a abertura de processo contra Landim por falta de decoro parlamentar, o que poderá levar à cassação de seu mandato de deputado. ''Nunca vendi habeas-corpus para ninguém. É mentira. Não assisti as gravações. O relatório não traz gravações; faz insinuações e ilações'', disse Landim, ao deixar a sala de depoimento.
O deputado tentou convencer os integrantes da Comissão de Sindicância de que as gravações feitas pela Polícia Federal foram obtidas de forma ilícita. Afinal, argumentou Landim, a Justiça autorizou a escuta dos telefonemas do traficante Leonardo Mendonça e não as suas ligações. O deputado evitou ainda dar declarações comprometedoras sobre suas relações com o traficante. ''Todo mundo conhece o Leonardo. O Brasil todo o conhece. Você não o conhecia?'', reagiu Landim.
No depoimento, o deputado acusou o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), de o perseguir ao determinar a abertura do processo contra ele. ''Estou sendo perseguido e discriminado'', reclamou Landim, de acordo com o relato de parlamentares da Comissão. Ele alegou ainda que foi ''julgado e condenado'' sem direto de defesa, apesar de ter votado, no segundo turno das eleições presidenciais, no PT. Landim quis ainda saber da Comissão se o teor das conversas do grampo ilegal feito pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia em telefones celulares de políticos seria usado contra os deputados grampeados.