A agenda de Luiz Inácio Lula da Silva para os próximos meses está pronta: lança sua candidatura à Presidência no dia 11, descansa a partir do Natal e, entre os dias 15 de janeiro e 7 de março, viaja pelo país para discutir sua campanha com militantes petistas e de movimentos populares.
Mas Lula ainda está longe de definir a coligação de partidos que o apoiará. Ele aproveitou seu discurso no ‘‘Encontro Popular contra o Neoliberalismo’’, realizado em São Paulo anteontem, para fazer um apelo pela unidade da esquerda. ‘‘Falar em unidade é quase que uma obrigação moral nossa. É quase um compromisso ético nosso’’, afirmou, para uma platéia de aproximadamente
3.800 pessoas.
Lula defende a união das esquerdas e torce pela fragmentação dos partidos que apóiam o presidente Fernando Henrique Cardoso. Na opinião do petista, ‘‘seria extraordinário’’ se o PMDB, e até o PPB lançassem candidatos próprios à Presidência. ‘‘Se conseguirmos quebrar a unidade dos conservadores, obviamente aumentaremos a nossa possibilidade concreta de vitória.’
Sobre a união dos partidos de esquerda, Lula afirmou que é preciso ter paciência para negociar. ‘‘Eu não estou apressado’’. Mesmo defendendo a unidade, o petista disse que seu partido teria condições de disputar sozinho: ‘‘O PT já deu demonstração de que sozinho tem potencial eleitoral dos mais respeitáveis do país’’. Lula comparou a candidatura de esquerda a uma canoa e a de FHC, a um transatlântico. Em sua opinião, se todos que estão na canoa remarem na mesma direção e com o mesmo objetivo, há possibilidade de ‘‘afundar o transatlântico’’.

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