O presidente Fernando Henrique Cardoso evitou comentar a polêmica criada em torno da troca dos automóveis que servem à Presidência da República, operação em estudo pelo governo. Afirmando tratar-se de uma questão administrativa, fora da alçada do gabinete presidencial, o porta-voz da Presidência, ministro Georges LamaziSre, voltou a descartar ontem que o uso de uma frota de carros cedida pelas montadoras desobedeça as regras de conduta impostas pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal e foi taxativo: formalmente, o Código de Ética não atinge a figura do presidente.
‘‘Tal como está escrito, o código de conduta mostra o compromisso dos servidores com o presidente e o cargo do presidente não se confunde com os outros’’, disse o porta-voz. ‘‘Formalmente, o Código de Ética não se remete a ele’’, afirmou. O porta-voz disse que, embora não possa ser demitido ou advertido como um outro servidor qualquer, o presidente está atrelado a compromissos éticos profundos e inequívocos. A fiscalização dos atos dele, lembrou, fica a cargo da sociedade e da imprensa.
Na semana passada, Fernando Henrique assinou o Código de Conduta da Alta Administração Federal, um conjunto de normas de conduta pensado para enquadrar funcionários do primeiro escalão e evitar a proliferação de escândalos. É uma tentativa do governo de tornar mais claros os limites de ação permitidos às autoridades dentro e fora do governo. A partir de agora, por exemplo, funcionários dos três primeiros escalões do governo não poderão aceitar presentes com valor acima de 100 reais nem divergir dos colegas em público.
O Planalto encomendou uma série de estudos para decidir se mantém ou substitui o regime de comodato celebrado com quatro das maiores montadoras instaladas no Brasil – Volkswagen, General Motors (GM), Ford e Fiat – que oferecem gratuitamente 28 carros para uso da Presidência.

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