Lamas confirma saques a mando de Costa Neto
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terça-feira, 02 de agosto de 2005
Andréa Michael e Gilmar Penteado<br>Folhapress 
Brasília - O ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas confirmou ontem, em depoimento na Polícia Federal, que sacou dinheiro das contas de empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza. Disse que seguia ordens do presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Segundo levantamento da CPI dos Correios, Lamas sacou R$ 1,25 milhão. Conforme o depoimento, o dinheiro foi entregue na casa em que Costa Neto vive em Brasília, a residência oficial do partido localizada no Lago Sul. Lamas também disse que, além do Rural, pegava dinheiro para Costa Neto na sede da agência SMPB e em hotéis em Brasília.
Costa Neto, que será ouvido pela PF, renunciou anteontem ao mandato de deputado federal. Assumiu publicamente ter recebido os recursos, com a ressalva de que fariam parte de um acordo na aliança PT-PL, na qual os petistas teriam arcado com o compromisso de fazer face às despesas eleitorais do PL.
Uma lista elaborada por Valério e entregue à PF, à Procuradoria Geral da República e à CPI aponta Costa Neto como destinatário de R$ 10,8 milhões. Além de Lamas, a lista aponta como intermediária do dinheiro, entre a conta de Valério e o presidente do PL, a empresa Guaranhuns Empreendimentos, Intermediações e Participações Ltda. e a corretora Bônus-Banval.
Ao deixar a sede da PF, depois de mais de cinco horas de depoimento, Lamas não falou com a imprensa. Questionado sobre se temia ser preso, respondeu que ''não''. Lamas seguiu a mesma linha do depoimento prestado por João Cláudio Genu, assessor do deputado José Janene (PP-PR). Ambos dizem que cumpriram ordens de um superior e desconhecem o destino dado ao dinheiro. A tese fica mais frágil no caso de Lamas, segundo avaliação da PF. Na condição de tesoureiro do partido, ele deveria ter mais informações sobre o destino dos saques. O nome Janene também passou a integrar a lista de depoimentos da investigação que apura o pagamento do mensalão.
Também prestou depoimento à PF ontem Eliane Alves Lopes, funcionária da SMPB há 22 anos, quatro dos quais em Brasília. Acompanhada pelo advogado Paulo Sérgio de Abreu, que defende Valério, ela também seguiu a linha de que somente cumpria ordens: sacava o dinheiro e entregava ao chefe na SMPB ou em algum hotel de Brasília. Depois dos depoimentos de intermediários dos saques, a PF vai partir para a investigação da origem do dinheiro. Uma das hipóteses é que os recursos tenham sido desviados de estatais.
Os policiais também vão exigir que os beneficiados com supostos empréstimos para gastos com campanha - versão defendida por Valério, que nega a existência do mensalão - apresentem os comprovantes de gastos. Empresas e pessoas que teriam recibo o dinheiro dos partidos devem ser ouvidas.


