Lago monta a maior rede de nepotismo estadual
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sábado, 19 de maio de 2007
Angélica Santa Cruz<br> Agência Estado 
São Paulo - Quatro meses depois de tomar posse, o governador do Maranhão, Jackson Kepler Lago (PDT), montou a maior rede de nepotismo em administrações estaduais do País. O listão de parentes e contraparentes nomeados por Lago para cargos públicos já chega a 23 pessoas - entre elas dois irmãos, quatro sobrinhos, três primos e um genro.
Nomeada secretária particular do governador, a primeira-dama Maria Clay Moreira Lago abriga no governo dois irmãos, seis sobrinhos e dois primos. O primo do governador e chefe da Casa Civil, Aderson Lago, pendurou nos cofres maranhenses pelo menos dois sobrinhos.
A República dos Lago é a linhagem de nepotismo de maior extensão de que se tem notícia no Brasil. Conta com mais que o dobro dos parentes empregados nos dois Estados concorrentes. No Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB) emprega seis familiares. No Pará, a petista Ana Júlia Carepa (PT) nomeou sete.
Na semana passada, Jackson Lago precisou se explicar por meio de notas oficiais e entrevistas coletivas depois que dois de seus sobrinhos foram presos pela Polícia Federal sob acusação de negociar propina de R$ 240 mil com uma funcionária da construtora Gautama para liberar recursos de obras públicas no Maranhão.
De acordo com os policiais, Francisco de Paula Junior e Alexandre do Maia Lago - filho de Nonato Lago, conselheiro do Tribunal de Contas do Maranhão e irmão do governador - teriam intermediado o pagamento a pedido do tio. Jackson Lago não foi preso porque a Constituição maranhense afirma que os governadores do Estado só podem ser detidos em flagrante.
Na quinta-feira passada, Lago negou ter conhecimento de qualquer ''procedimento ilícito''. Na sexta, embarcou para a Argentina para participar de um encontro de governadores - e sua comitiva oficial incluía a primeira-dama e nada menos que quatro cunhadas.
Depois da viagem, coube a alguns dos assessores de Lago a tarefa de explicar o caso. ''Olha, trabalho com o governador há dez anos e não me lembro de vê-lo fazendo referência a eles. E eles nem tem cargo no governo estadual...'', sustentou José Raimundo Pinheiro Neto, chefe da Assessoria de Comunicação Social do governo maranhense.


