Numa solenidade esvaziada - da presença de empresários e de políticos -, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, assumiu ontem o cargo insistindo que não vai contrariar a política econômica ditada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Sobre a função de sua pasta, Lafer disse: ‘‘Obedecerá, num diálogo constante, a uma lógica de complementaridade e não a um impulso de contradição com a política econômica do governo, conduzida pelo Ministério da Fazenda e voltada para a estabilidade e a consolidação do real’’. O embaixador tomou posse no cargo criado para ser a principal inovação do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso com um discurso comedido: ‘‘O momento não permite que eu espere vitórias fáceis, resultados imediatos’’. Nem o primo do ministro e presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Horacio Lafer Piva, esteve presente à cerimônia. Os dirigentes de federações do Rio de Janeiro e Minas Gerais também faltaram, assim como os principais empresários do país, frustrados com o resultado do ministério, que seria criado para atender a um desejo deles. Os empresários pressionavam o governo por um contraponto à política econômica.
Tampouco havia políticos prestigiando Lafer. Somente os tucanos compareceram em peso. Não havia no salão do antigo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo nenhum dirigente do PFL e do PMDB (da base política de FHC). Eles haviam criticado a criação da pasta. A poucos metros do ministro Pedro Malan, Lafer fez uma única ponderação crítica sobre o rumo da economia no discurso de posse, ao se referir à vulnerabilidade das contas externas. ‘‘Sem comércio exterior dinâmico, e as reservas internacionais que provê, não há sustentabilidade duradoura de política econômica’’.
Pimenta Ao tomar posse ontem em cerimônia concorrida, o novo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, disse que buscará diálogo com a oposição. ‘‘Quero ter canais diretos e abertos com a oposição, um entendimento amplo e elevado onde se busca fundamentalmente um debate de idéias do interesse nacional.’’ Pimenta também rebateu os ataques que vêm recebendo de lideranças de partidos aliados que não aceitam o seu nome como sendo o novo articulador político. ‘‘Nem a mineiridade, nem o perfil tucano haverão de restringir meu trabalho’’, disse. ‘‘Considero as credenciais facilitadores desta tarefa que será cumprida com visão nacional e isenção partidária.’’
Ao final da solenidade, Pimenta da Veiga disse que começou a exercer funções políticas no governo antes de assumir o cargo de ministro. ‘‘Eu diria que até já comecei a conversar para ajudar a organizar as votações’’, declarou.
Segundo ele, neste primeiro trimestre o Brasil viverá um cenário de grandes dificuldades. ‘‘Por isso é essencial uma resposta rápida do País, demonstrando que as dificuldades que nos atingiram serão superadas pela convergência política em torno do ajuste econômico.’’

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