Lafer defende estabilidade da moeda
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terça-feira, 29 de dezembro de 1998
Isabel Versiani Agência Folha 
Celso Lafer, ministro indicado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, disse ontem que pretende conduzir o seu trabalho no novo cargo tendo como parâmetro fundamental a estabilidade da moeda. Ele ressaltou que a política macroeconômica do governo continuará sendo definida pelo Ministério da Fazenda.
Lafer afirmou que pretende escolher um representante da iniciativa privada para compor sua equipe. Segundo ele, sua intenção é ter definido os principais nomes do novo ministério até o próximo dia 4, em sintonia com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governo como um todo. A pasta do Desenvolvimento foi criada em uma tentativa de fortalecer as políticas industriais do governo, estimulando a produção e a exportação. O novo órgão incorporará as responsabilidades do atual Ministério da Indústria e do Comércio, que será extinto, e terá em sua estrutura o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), hoje vinculado ao Ministério do Planejamento.
Em declarações à imprensa ontem, Lafer fez questão de ressaltar suas ligações com o setor produtivo, refutando críticas de que o seu perfil de intelectual não seria apropriado para o cargo. Eu exerci funções diplomáticas, mas não sou um diplomata. A minha experiência é universitária, como todos dizem, mas é também uma experiência de mais de 30 anos em empresa. Eu conheço o que é uma empresa, como ela funciona e não desconheço o chão de uma fábrica e seus problemas, afirmou Lafer.
O novo ministro exercia até este mês o cargo de embaixador brasileiro em Genebra, onde era o principal interlocutor do país na Organização Mundial do Comércio. Doutor em filosofia, Lafer já foi diretor da Metal Leve e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e é primo do atual presidente da entidade, Horácio Piva.
Lafer chegou ontem de manhã a Brasília e almoçou com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, com quem conversou por mais de três horas. À tarde, esteve com o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. O objetivo do encontro, segundo Lafer, era esclarecer detalhes sobre a estrutura do novo ministério. Preciso ter uma idéia mais precisa do desenho do novo ministério para fazer as nomeações, disse. Amanhã, Lafer terá uma reunião com o ministro da Indústria e do Comércio, embaixador José Botafogo Gonçalves.
CPMF Passado o desgaste da formação do novo ministério, o presidente Fernando Henrique Cardoso se prepara para fazer valer a convocação extraordinária do Congresso e aprovar, sem susto, a emenda constitucional que prorroga e aumenta a alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para 0,38%. Este é o item mais importante entre os 35 temas selecionados pelo governo.
Com início marcado para 4 de janeiro, o esforço concentrado do Legislativo impõe como primeiro desafio ao governo trazer de volta a Brasília o quórum necessário para votar as medidas em pauta, pois boa parte da bancada governista que não se reelegeu pode permanecer em sua base eleitoral. Outro foco de preocupação, dizem os líderes governistas, é garantir a alteração no regimento interno da Câmara e uma tramitação mais rápida para a emenda.


