''Ladrão, ladrão, ladrão'', grita o povo
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sábado, 09 de dezembro de 2000
Patrícia Zanin De Maringá 
Ladrão, ladrão, ladrão. Com esses gritos o ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi foi recepcionado ontem na saída do prédio da Justiça Federal de Maringá, após ter chegado algemado de Florianópolis. Houve uma manifestação mais tímida na entrada, mas o maior protesto foi mesmo na saída, quando cerca de 40 pessoas se concentraram em frente ao edifício.
O manifestante mais exaltado foi o estudante Marcos Fábio Sanches, de 20 anos, que esfregou uma nota de R$ 1 no vidro da viatura da Polícia Federal que conduziu Paolicchi até o quartel central do Corpo de Bombeiros. Não é disso que você gosta? Então toma, gritava o estudante, com a nota grudada no vidro. Alguns manifestantes também deram socos na caminhonete da PF.
Outras pessoas acompanharam a manifestação à distância. Além de funcionários da prefeitura, que deixavam o expediente, um dos advogados do prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido), Odair Moreschi, também foi até a Justiça Federal. Junto com ele estava o promotor Edson Cemenssati.
Depois que a viatura deixou a frente do prédio com destino ao Corpo de Bombeiros, o protesto ainda seguiu por alguns minutos. Um misto de indignação, contentamento, surpresa e descrença tomou conta dos manifestantes. Maringá está perdida, lamentou Sanches, para completar: Ele fez uma cara de cínico, estava mascando chiclete e deu risada. Paolicchi entrou e saiu do prédio da Justiça Federal com um sorriso sarcástico.
É um absurdo ele ter saído daqui rindo. Isso mostra que tudo vai dar em pizza, completou o publicitário Gino Guilherme Armani, de 45 anos. A curiosidade levou também várias pessoas para a frente do Corpo de Bombeiros. Fiz questão de sair do trabalho e passar por aqui para ter o gostinho de ver a cara dele, contou o estofador André Luiz Bello, de 23 anos. Ele não conseguiu ver a chegada de Paolicchi. Também não vi, mas quero ver, emendou o comerciário Willian Pernia, de 18 anos.
Para o chapeiro João Luiz Leocádio, de 24 anos, qualquer R$ 300 do dinheiro desviado resolveria seu problema. Ele (Paolicchi) desviou tanto que poderia ter sobrado uns trocados para mim, contou, para completar: É uma brincadeira, porque ficar com dinheiro ilícito é contra os meus princípios. Como chapeiro, Leocádio recebe R$ 150 por mês. (Colaborou Marcos Zanatta)


